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26/07/2008 00:29
FAZ TEMPO...
Meu, há quanto tempo eu não escrevo aqui?
O duro é encontrar tempo, principalmente quando se trabalha, tem família...
Tenho saudades de escrever aqui...
Na verdade, gostaria de ter uma melhor datilografia, para poder escrever mais rapida e precisamente as coisas que eu penso, ou os diálogos que eu tenho com as pessoas à minha volta. Sim, porque o mais interessante são as pessoas que nos rodeiam, e os diálogos, as curiosidades as pessoas suscitam, aquilo que é falado no momento, em que muito da "mágica" está em transferir para a linguagem escrita o que exatamente se sentiu, o que se quis dizer.
Pois é, como eu já disse antes, escrever é um parto. Mas é ótimo quando se consegue "parir" algo legal.
Putz, já falei demais...
Matei a saudade de escrever aqui...
Até mais!
enviada por Vinicius
10/12/2006 18:47
A PRIMEIRA NAMORADA Parte 2
Levei-a até a casa dela, que ficava ali perto. E combinamos de a gente se encontrar no domingo.
Adendo:
A gente não imagina hoje como seria a vida sem celular, não é mesmo? Pois é. Naquela época (1987), nem linha telefônica fixa tinha na minha casa. Era artigo de luxo (uma linha telefônica custava por volta de R$ 6.000,00). A gente combinava de se encontrar uma semana antes. E o interessante é que dava certo, não dava furo. A gente ficava uma semana sem se falar. Fazer o quê, não tinha outro jeito... Às vezes ela encontrava um amigo meu e mandava um recado, caso fosse necessário marcar ou desmarcar um encontro. E assim era naquela época. Conseguem imaginar isso nos dias de hoje?
Voltando ao assunto, combinamos de a gente se encontrar no domingo. Eu estudava o terceiro ano do segundo grau, e ela ainda na sétima série (um abismo cultural entre nós estava em formação, raiz de problemas num eventual futuro). Eu não trabalhava, mas estudava em período integral. (das 7h às 17h).
Porém o sábado chegou e eu, sem ter nada a fazer, adivinha o que me veio à cabeça? Sim, visitá-la.
E sem avisar, claro.
Também era claro que eu corria o risco de não encontrá-la em casa, não tinha como eu saber.
Mas dane-se, pensei, vou assim mesmo, não tenho nada a perder. Se ela não estiver lá vou para a casa de um amigo, sei lá..
Ao dobrar a esquina da rua da casa dela, de cara notei que havia gente em casa. Tem gente lavando o quintal, pois há água escorrendo pela calçada em frente, concluí.
Ao me aproximar do portão, deparo-me com uma bela cena: ela, descalça, com o cabelo preso, de camiseta branca e shortinho jeans, parecendo uma maloqueira, puxando a água com um rodo. Que cena linda. E ela estava tão lindinha daquele jeito, tão... real. Outra coisa que não pude deixar de notar: seus seios pequenos, cujos bicos tesos estavam querendo furar a camiseta branca. Ai ai...
Sabe, é bacana embora a maioria delas não goste você ver a mulher em um momento assim, sem maquiagem, com a roupa do dia-a-dia... É claro que ela não gostou de ser surpreendida daquela forma, mas gostou de me ver. Ela sorriu pra mim e me deu um olhar carinhoso com aqueles olhos castanhos. E ela estava lindinha...
N me apresentou à sua irmã (que a estava ajudando), e pediu-a para dar um tempinho. E veio conversar comigo. Como não tinha combinado nada, não ia ter como a gente ficar naquele dia. Tudo bem pra mim (tudo bem o cazzo, fazer o quê...). Como eu nem sequer esperava encontrá-la ali, vê-la já estava de bom tamanho. E poder beijá-la de novo, melhor ainda. Quando fomos nos despedir, agarrei-a e a beijei bem ali, na rua, na frente de todo mundo, na frente da irmã dela. Eu nem me toquei. Devia ter pegado mais leve. Até parecia que eu nunca mais a beijaria... Mas foi assim.
É claro, está faltando um ingrediente que não pode faltar em uma relação amorosa, principalmente para um cara inexperiente como eu: o ciúme. Com eu só a via praticamente uma vez por semana, ficava imaginando como ela era na escola, no trabalho, etc. Teve um dia que cheguei a dizer a ela que ela tinha cara de espertalhona. Como eu fui estúpido. Mas, ao invés de ela retrucar, ela foi me mostrando, com palavras e atitudes, que eu estava errado, que ela estava na minha. Parei de ficar na defensiva (com o pé atrás, como dizem), desencanei geral.
O lado bom (se é que pode ser considerado assim, por isso coloquei entre aspas) de se ficar com um pé atrás é o lance de, caso o romance dê errado, a dor não ser tanta por não ter havido entrega; porém, ficar desconfiando o tempo todo da amada não existe, não é amor. Se não há entrega, não há amor.
O lado bom da entrega (aqui sim pode ser chamado assim, sem aspas) é o fato de se confiar na pessoa amada. E todo mundo gosta de saber que é digno de confiança da pessoa amada.
O lado ruim porém é quando não se é correspondido, ou quando a amada passa a gostar de outro. É duro, É ótimo o ato da confiança, da entrega. Faz parte, mas às vezes dá medo. Há uma música chamada Pessoa (Dalto/Cláudio Rabello), que ficou famosa nos anos 80, e que foi regravada por Marina Lima, cujo refrão expressa bem o que quero dizer:
O meu medo é uma coisa assim
Que corre por fora
Entra, vai e volta sem sair
Não, não tente me fazer feliz
Eu sei que o amor é bom demais
Mas dói demais sentir...
E percebi que ela também sentia ciúme de mim. Mas eu, assim como ela, não provocava.
Adendo:
Sentir ciúme nunca é legal. Quem gosta de provocar ciúme no outro ou é sádico, ou está querendo revidar, retaliar, atingir, vingar-se, ou está tentando dar um jeito de contaminar a relação (não está mais interessado, e procura um jeito de fazer com que o outro termine, para se sentir menos culpado). Há quem pense que ciúme é tempero para o relacionamento, que um pouco de ciúme faz bem. Ciúme não é tempero, é veneno. Há quem faça isso com o objetivo de fazer o outro correr atrás. Comigo isso tem a tendência a dar errado. Posso acabar me convencendo de que perdi a parada, e terminar o relacionamento por achar que eu já era. Ou então ficar com tanto ódio, pegar birra mesmo, e nunca mais olhar na cara.... E quando eu me convenço de que já era, da nada adianta querer vir dizer depois que era brincadeira, que não era bem assim, que aí sim já era. Para um homem só existem duas situaçãoes: interessado e não interessado. Quando um homem desencana, ou pega birra de uma mulher, te juro, pode ser a mais linda, não rola mais MESMO.
Voltando ao assunto...
Sendo assim, a gente parou com a bobagem do ciúme, e resolvemos namorar, que é o que interessa.
Com um mês de namoro, conheci os pais dela.
A mãe era um amor, e o pai era boa pessoa, porém meio arisco, não me dava confiança, era na dele.
Eu era o primeiro rapaz que ela namorava sério, de se levar em casa para conhecer os pais e o escambau. Que honra a minha, pensei.
Um dia, estávamos eu, meu amigo Mauro e Marcos (outro amigo na época, mas cuja amizade não durou...) conversando sobre relacionamento na volta da escola. Voltávamos de trem. Assim, do nada, Marcos me pergunta:
E se ela dissesse pra você que não é mais virgem?
Eu não me importo, respondi no reflexo.
É... Bom... Se ela tivesse falado isso logo de cara, até vá lá... Mas, se ela esconde algo desse tipo, eu fico me perguntando se ela não pode esconder coisas mais... Sei lá... Sei lá...
Não entendi o porquê de eles estaram falando aquilo. Pô, meu, mó papo nada a ver, eu pensava. Mais tarde, passei a entender: poucos dias depois, N me disse que não era mais virgem. Meus amigos sabiam disso, pois moravam no mesmo bairro que ela, diferentemente de mim, que morava num bairro vizinho. Sabiam de coisas sobre ela que eu não sabia. E souberam de coisas sobre ela das quais eu fui o último a saber. Mas esta é a regra universal, vocês sabem... Que será contado mais adiante.
Enfim, o fato de ela não ser mais virgem não afetou em nada os meus sentimentos por ela. Na verdade, aquilo pouco importava, pois, embora eu não admitisse nem pra mim mesmo, eu já estava, àquela altura, amando aquela mulher.
Eu era virgem. Será que agora vai (rolar)?, pensava comigo. A idéia de que isso (o fato de ela não ser mais virgem) poderia vir a ser um problema no futuro passou bem longe. O fato de eu gostar dela (mais exatamente, amar) era suficiente pra mim. Na verdade, eu estava com um pensamento muito simplista, pois havia negligenciado um fato muito importante: o primeiro homem. Negligência número dois.
[CONTINUA]
enviada por Vinicius
03/12/2006 14:59
A PRIMEIRA NAMORADA Parte 1
A história é longa. Por isso a dividirei em partes.
Era um sábado, início de março de 1987. Eu estava perto de completar dezessete anos. Nessa época, andava com um pessoal da igraja Batista, gente bacana mesmo. Quem me apresentou a essa turma foi o Mauro, meu melhor amigo até hoje, uma amizade inabalável, de mais de vinte anos.
Estávamos em oito pessoas, cinco caras e três meninas, voltando de um evento relacionado à igreja. Dentre as três meninas, uma eu nunca tinha visto: ela. Olhei-a, mas não dei-lhe atenção. Ela não era bonita. Na verdade, ela se parecia muito comigo, conseguiria se passar por minha irmã numa boa. Mas eu não tinha aquele nariz de bola (igual ao que e Xuxa tinha antes de fazer a cirurgia plástica). Morena da minha cor, magrinha, cabelos pretos e lisos. Era um ano mais velha. Seu nome era N (melhor chamá-la assim).
Tudo aconteceu muito rápido. No dia seguinte (domingo), ela tinha ido à igreja, acompanhada de seu primo, o Jorge, o mesmo que a tinha levado ao evento do dia anterior. Terminado o culto na igreja, lá pelas 21:00h, fomos eu e a galera toda, para a casa do Jorge. No caminho, fizemos uma vaquinha para comprarmos pizzas. Voltei conversando com ela, a N. Lembrando-me dessas coisas hoje, eu penso: engraçado... engraçado... Não percebi a aproximação dela.... Quando percebi, lá estava ela me fazendo um monte de perguntas (de onde eu era, onde eu morava, de que música eu gostava...) E eu lá também, adorando tudo aquilo...
Chegando à casa do Jorge, todos entraram, exceto nós dois. Depois a gente entra, eu disse, como que por reflexo ou talvez por puro instinto masculino, ao perceber que a chapa tava começando a esquentar.
Ficamos naquele papinho, pá e tal, tal e coisa... Tudo o que eu falava era motivo de riso pra ela. Uma mulher gosta de homens que a façam rir. Ou então ela começou a rir de mim, vendo-me macaqueando na frente dela ao perceber a minha dança do acasalamento - semelhante a dos pavões para excitar a fêmea no esforço de chamar-lhe a atenção... Mas acho que não... Será?
Bem, o que importa é que o entregador de pizza chegou. Era a hora de ir pra dentro, hora de comer pizza. Mas eu, que àquela altura já conversando com ela a uma distância muito menor do que uma amizade permitiria, já envolvido pelo clima e com o coração acelerado, disse a ela:
Que coisa... Paguei por uma pizza que nem vou comer...
Ao que ela prontamente respondeu:
Ainda está em tempo de você ir pra lá...
Negligenciei esse aviso dela - sofreria a conseqüência disso mais tarde, porém. Embriagado pelo clima e pela idéia de que era questão de pouquíssimo tempo até eu dar um beijo naquela boca, respondi:
Hã... Não, não... Aqui tá bem melhor, sabe...
Ela deu um sorriso com o canto da boca. Aquele sorriso. Acabara de sentir a firmeza do macho em busca da fêmea.
Mas... Como beija-la? Simplesmente peço um beijo? Mas é preciso pensar rápido, antes que eu perca o timing. Já estava bem próximo dela. Ela encostada em um muro, e eu encostado em um carro, de frente pra ela. Eu estava de braços cruzados e ela com as mãos para trás. Sentia seu perfume.
Adendo:
O fato de se sentir o perfume de uma mulher nem tem muito a ver com o cheiro, a fragrância em si - nem sou entendido nesse assunto. Mas denota proximidade, confiança por parte da mulher, pois um perfume só é sentido quando se está muito próximo da pessoa. É claro que não tem nada a ver quando cumprimentamos alguém. Porém, na minha opinião, quando uma mulher permite que um homem fique a seu lado a uma distância que permita se sentir seu perfume, entendo isso como uma concessão, uma liberdade a mais, algo que pode ir além da amizade... Ou no mínimo, uma alta confiança.
Voltando ao assunto...
Sentia seu perfume. Estava, como disse, a uma distância inferior ao limite permitido pela amizade. E embriagado por aquele clima. O coração acelerado. Era preciso agir. Era isso que ela esperava de mim.
Curioso... Quando tem que acontecer, simplesmente acontece. Não adianta forçar...
Nem sei de onde me veio a idéia, mas fiz uma piada. Uma piada bem sem graça, aliás, mas ela entendeu a deixa: era para ela começar a rir, e inclinar o corpo pra frente. E assim ela o fez. E eu, é claro, teria de fazer o mesmo. E começamos a rir. Ela inclinou seu corpo para frente, aproximando-se (ainda mais) de mim. Descruzei meus braços instintivamente. Hora do ataque. Ao me aproximar de seu rosto, dei-lhe um beijinho na boca. Ela aceitou. No segundo seguinte, meus braços agarraram aquela cinturinha fininha. Em seguida, puxei-a violentamente contra o meu corpo. Fui rude, confesso. Mas ela adorou, abraçando-me com força. Inclinei-me para frente, encostei-a no muro em fração de segundo. Foram vários beijos, bem longos, do jeito que eu gosto. Que loucura...
Não dormi naquela noite, é claro. Ficava relembrando cada minuto, cada frase dita. Deve ser por isso que consigo escrever hoje, com detalhes, o que aconteceu há muito tempo.
Fiquei abobalhado. E feliz. Muito feliz.
[CONTINUA]
enviada por Vinicius
23/11/2006 01:23
A IRA DE UMA MULHER DESPREZADA: JAMAIS A NEGLIGENCIE
Lembram do cara que manteve a mulher e a amante sob a mira de um revólver? A amante estava grávida dele, e foi pedir dinheiro para fazer um aborto, uma vez que seu marido tinha feito vasectomia. No final, ele matou a amante e depois se matou. Foi um caso de muita repercussão, e gerou muitas discussões. Todo mundo procurando uma explicação para uma desgraça dessas.
Sobre este assunto, uma colega minha deu a sua interpretação:
Isso é fruto da hipocrisia da sociedade.
É sempre aquela situação clichê: o homem trai a mulher, e todo mundo do bairro sabe. Menos a esposa, é claro.
Por que é que, ao invés de dizer para a esposa que quer ficar com a outra, que está apaixonado pela outra, ele vai levando essa vida dupla?
Por que as pessoas não admitem que essas coisas acontecem, e se separam normalmente?
Oras, as pessoas se sentem obrigadas a viverem conforme regras que a sociedade impõe, regras que essa própria sociedade não consegue seguir. E como não conseguem seguir as tais regras, ficam vivendo uma situação perigosa, na hipocrisia. Pô, meu, é necessário que sejam mudadas as regras, e essas mudanças têm de partir da própria sociedade.
Daí eu disse:
Olha, concordo plenamente com você.
Mas acho que o problema é muito mais complicado. Tanto homens como mulheres desejam ter filhos. E quando os têm, desejam criá-los, dar lhes educação. E para criá-los, precisam estar perto dos filhos. Para permanecerem perto dos filhos, os pais precisam, na esmagadora maioria dos casos, viver em harmonia com suas mulheres, mães de seus respectivos filhos.
Pois uma coisa, salvo exceções, é praticamente certa:
Se um homem disser para sua mulher que não a ama mais, e que ainda por cima vai viver com outra, a mulher vai retaliar certamente: vai sumir com os filhos, vai morar em outro Estado sem dizer o endereço; ou vai demonizá-lo, colocando os filhos contra os pais, ou dizer que o pai morreu, que é cachaceiro e que nunca os amou. Seria disso pra cima. E faria tudo isso, não necessariamente nessa ordem.
enviada por Vinicius
05/11/2006 16:05
O CAÇADOR DE PIPAS: BOA LEITURA
Acabei de ler o livro O caçador de Pipas, de Khaled Hosseini.
Muito, muito bom. Não é à toa que o livro está há mais de um ano nas listas de livros mais vendidos dos principais jornais e revistas brasileiras.
Quando uso a expressão não é à toa, quero dizer que existem alguns livros que vendem mais pelo marketing do que pelo fato de o livro ser bom em si. Um exemplo disso são os livros de Paulo Coelho, cuja grande maioria é ruim pra cacete.
Mas, em se tratando de O Caçador de Pipas, não é o caso. O romance é bom mesmo.
enviada por Vinicius
23/09/2006 11:49
O PRIMEIRO BEIJO...
...A gente nunca esquece
Era verão, época de férias. Lembro-me bem. Eu estava para começar a estudar o segundo ano do segundo grau, com quinze anos (faria dezesseis em abril). E... Isso mesmo: ainda não havia beijado uma menina. Cara, tava começando a ficar pessoal. Para mim já estava mais do que passando da hora de eu ter essa experiência.
Num belo dia, avistei uma menina da rua de cima , que vivia a perambular pela minha rua: Beth.
Ela era famosa. Entenda-se por famosa a menina que, na época, era namoradeira, vivia de ficar beijando tudo quanto é carinha.
Quando Beth me viu, deu um sorriso. Qualquer um, até mesmo um virgem como eu entendia aquele sorriso de aprovação por parte dela.
Será que agora vai?, perguntava-me.
Nos dias seguintes, eu ficava em frente ao portão de casa para vê-la passar. E vê-la olhar pra mim com um sorriso. Aquele sorriso. Ai ai ai...
Dias depois, eu, sem ter o que fazer, fui dar uma olhada na construção de um vizinho. Tinham começado a rebocar as paredes por dentro. Fui ver como estava ficando. Ainda não tinham sido colocadas as janelas.
Estava em um dos quartos da casa quando percebi um vulto passar pela porta. Não, não pode ser ela, cheguei a pensar. Alguns minutos depois, o vulto passa de novo. Corro atrás para ver quem era. Era ela, sorridente. Aquele sorriso.
Chamei-a para dentro do quarto. E ela veio. Eu já estava tremendo. E o coração batendo a mil. Perguntei o que ela estava fazendo ali. Só de passagem, disse ela. Silêncio de um minuto. Aproximei-me bem dela, a ponto de sentir seu hálito e seu perfume. Perguntei mais alguma coisa, mas não me lembro mais o que era. E nem importava, pois já estava totalmente embriagado por aquele clima. Só me lembro de ter colocado a mão no pescoço dela, acariciando-lhe a orelha direita. Isso me dá cócegas, disse ela, quando puxei-a pela cintura para perto de mim. Aqueles olhos com maquiagem carregada. Foi a última coisa que vi quando fechei meus olhos e a beijei. Aquele cheiro de perfume e de maquiagem barata... Era, para mim, o cheiro da fêmea, cheiro de mulher. Que loucura...
Ah, Beth...
Não era bonita. E bunda também não tinha. Aliás, eu dava sorte com menina sem bunda.
Beth... Jamais me esquecerei da menina que me fez ver a luz.
Depois desse e de outros beijos que dei nela, passei a ter menos problemas de auto-estima e de autoconfiança. É claro que continuei a tomar muita porrada nessa área, mas havia perdido o medo, estava mais confiante. E minha timidez sumira de vez. Até de bonitinho passaram a me chamar, acreditem.
enviada por Vinicius
15/09/2006 00:02
O PRIMEIRO AMOR
Estava na oitava série, estudando no horário das 19:00h às 23:00h.
Mais ou menos um mês depois do início das aulas, uma menina foi transferida de uma outra escola para a nossa, passando a fazer parte da nossa turma: ela.
Ela. Adriana F.
O rosto era lindo. Lembra até o de uma das estagiárias que hoje trabalha comigo. Baixinha, pele branca, cabelos com aquele aplique de luzes (que davam aquele efeito de cabelos loiros), levemente cacheados, até a altura do ombro. Era uma loirinha, resumidamente falando.
Bunda não tinha. Definitivamente, não tinha. Mas o que isso importava? Já estava cegado pela paixão. Para mim ela era a menina mais bonita da escola. Quem era Sandra Sayuri perto dela?
Mas minha timidez estava sempre ao meu lado para atrapalhar tudo. Vocês não fazem idéia do quanto eu era tímido. Estava com quatorze anos e ainda não tinha beijado uma menina.
Não me lembro como começamos a conversar. Pra falar a verdade, eu, do fundo da minha inferioridade e timidez perante ela, não entendia como uma menina como ela poderia sequer imaginar que eu existisse.
Passamos a fazer trabalhos da escola juntos.
Um adendo: meu, é incrível como muitas vezes as pessoas fazem as coisas sem nunca prestar atenção ao que estão fazendo. E se não aparecer ninguém pra dar um toque, são capazes de ficar cometendo o mesmo erro pra sempre. Falo dos trabalhos escolares. O professor passa um trabalho que faz parte da nota final, pá e tal. E o aluno, cabeça de bagre, possuído não sei por que espírito, escreve na capa do trabalho: Trabalho de Matemática, Trabalho de Ciências, Trabalho de Geografia, e por aí vai. Dããããããããh... Cara, isso me dava um ódio, vocês não fazem idéia. E o pior é que até na faculdade conheci seres com a capacidade de entregar um trabalho dessa forma. Cara, como pode...
Voltando ao assunto...
Passamos a fazer trabalhos da escola juntos. Juro pra vocês que nunca escrevi a palavra trabalho na capa dos meus trabalhos escolares. Por este pecado mortal não hei de ser julgado no dia do Juízo Final.
A nossa amizade foi crescendo. O pior é que tenho de admitir, infelizmente ela era do tipo burrinha: falava besteira de montão, e dava aquela risadinha hi hi hi, parecida com a da Chiquinha do Chaves.
Outro adendo: o humor na televisão brasileira pode ser dividido em A.C. (antes do Chaves) e D.C. (depois do Chaves). Já disse isso há muito tempo aqui, mas nunca é demais repetir.
Mas, como disse, estava cegado pela paixão. Tarde demais. Amava Adriana, com risadinha de Chiquinha, sem bunda, e tudo mais.
Pra história ficar ainda melhor, só faltava dizer que ela tinha um namorado. Pois é: tinha. Mas eu, é óbvio, alimentava a esperança de que ela viesse a se apaixonar por mim. Esperança vã, é claro. Pobre diabo era eu.
Os colegas da turma, óbvio, perceberam que eu estava arrastando um bonde por ela. Dentre eles, Ed, jogador de vôlei do time da escola, bem alto, moreno, bonito, popular e que fazia aquele sucesso com a mulherada. Pensava comigo: só falta esse cara dar em cima da minha amada.... Isso pra mim seria a morte, porque eu sabia que ele era realmente tudo o que e não era. E eu não teria a mínima chance, perderia de goleada pra ele. Para a minha surpresa, ele não se aproximou dela. Ainda bem, pensava eu, aliviado. Porém, mal sabia eu que o pior estava por vir.
Comecei a freqüentar a casa dela, para fazer os trabalhos. A mãe dela era um doce, me tratava super bem. Sabe, estava realmente gostando do ritmo em que as coisas estavam andando: a amizade, os trabalhos, conhecendo a família. Tudo indo às mil maravilhas.
Na sala de aula, porém, algo começou a me incomodar: o ciúme. Ela era simpática e bonita, e isso atrai a atenção de outros caras. Ah, véio, eu me corroia de ciúme... Eu ficava muito puto com tudo aquilo... Hoje, relembrando as cenas, sei que nunca teve nada a ver, mas, à época, era um ciúme dos piores que poderia existir. E eu lá, agüentando calado. Ninguém nunca percebeu. Nunca deixo ninguém perceber o quanto sofri, ou sofro por dentro. Aliás, nunca deixo transparecer quando estou sofrendo. No meu ambiente de trabalho, mais ainda. Os funcionários não enxergariam você como uma pessoa sensível, e sim como um fraco. E para as mulheres, principalmente homem sensível = viado. E ponto final.
É claro que Adriana percebeu minha paixão por ela. Não tinha como ela não perceber.
Um dia, na casa dela, eu sentado ao lado dela, ela começou a me encarar. Como a minha pele é morena, não havia como ficar vermelha, mas estava realmente me sentindo intimidado por ela. Eu olhava para os livros e as folhas de papel, e ela me encarando, com aquele sorriso enigmático de Mona Lisa. Achei que aquele momento não iria terminar nunca. E se ela viesse me beijar, o que eu faria? E se ela me perguntasse algo, do tipo se eu gostava dela? O que eu responderia? Ela estava esperando que eu dissesse ou fizesse algo, mas minha timidez, como disse, estava lá para azarar tudo.
Nossa amizade estava legal. Amizade o caralho! Só se fosse da parte dela... Porque da minha parte era amor... Ficava ansioso para vê-la entrar na sala de aula e sentar-se ao meu lado. Olha, considero-me uma pessoa forte. Já passei cada perrengue por causa disso...
E Ed, o popular, zombando de mim. Ele adorava me zoar, me chamava de baianinho e de outras coisas. E zombava do meu amor por Adriana. Filho da puta. Desejei tanto que um carro passasse por cima das pernas dele para que ele não pudesse mais saltar para dar as cortadas no vôlei. E que, uma vez paraplégico, viesse a se tornar mais humilde.
Há males que vêm pra fuder com tudo mesmo.
Já era inverno.
Não me lembro como começou aquela discussão. Ed e Adriana estavam discutindo. Não que eles não pudessem discutir, é claro, mas o que me causava estranheza era o fato de até então eles pouco terem conversado.
Não estava entendendo nada daquilo. De repente, Ed se levanta e grita para Adriana que aquilo que aconteceu já era, por que você veio falar disso aqui?, aconteceu, mas já era, tá entendendo?. Ele falava tudo isso, e ela lá calada, como se estivesse tomando bronca do pai, sem dar um pio. Humilhante.
O que aconteceu?, eu me perguntava.
Vieram me dizer. Quando ela estudava na outra escola, eles, Adriana e Ed, tinham ficado, dado uns beijos. Isso mesmo. Ele. Ela.
E ela tinha que ter beijado justamente ele. Caralho, véio, mas que merda. Que merda. Isso era o cúmulo do lugar-comum do dramalhão. Como a história insiste em se repetir.
A minha outrora imaculada Adriana passou a ser uma comum, bonitinha e ordinária, a diaba. Ah, então você beijou ele, não é mesmo? Agora enfia o dedo no cu e rasga, que eu tô cagando e andando, morô?. Passei a reparar a bunda que ela não tinha, e sua risada de Chiquinha passou a me irritar. Por dentro eu estava de dar dó, mal mesmo, sabe?
De forma um pouco inconsciente comecei a me afastar dela, a tratá-la como uma colega comum, como as outras. Passei até a fazer parte de outro grupo de trabalho. Aquela história toda foi demais pra mim.
E eu, aos quatorze anos, não havia ainda conseguido beijar uma menina. Hoje pode ser até engraçado falar sobre isso, mas na época era um drama que parecia não ter fim.
Um dia desses, visitando a página de uma amiga minha no Orkut, encontrei a página de Ed. Deixei um scrap perguntando se ele era ele mesmo, pá e tal, como ele estava, se ele ainda se lembrava de mim. Disse a ele que eu estudava na mesma turma que ele no ginásio, etc, etc, etc. Recebi dele a seguinte resposta:
Sim, sou eu mesmo. Mas desculpe-me, de você eu não estou me recordando.
Próximo texto: ... A GENTE NUNCA ESQUECE
enviada por Vinicius
10/09/2006 18:46
AMOR DE INFÂNCIA
Estava na segunda série do primeiro grau, com oito anos. Naquela época, os melhores alunos ficavam nas salas que tinham as primeiras letras do alfabeto. Sendo assim, os melhores alunos da segunda série eram os alunos da segunda série A, seguidos pelos alunos da segunda série B, e assim por diante. Na primeira série, não havia como ter essa distinção, uma vez que todos eram iguais, não tinham exibido algum rendimento anterior que os classificasse de alguma forma. Entrei na escola na primeira série F. Na segunda série, fui promovido para a segunda série B. Era injusto, claro, mas as coisas eram simplesmente assim naquela época.
Promovida para a segunda série B, assim como eu, foi Sandra Sayuri. Japonesinha, pele morena, cabelo preto ao estilo Chanel Balãozinho (igual ao da Ana Paula Padrão, âncora do Jornal da Globo). Sua beleza reluzia. Era impossível ficar indiferente frente a tanta beleza. Ela vestia aquele uniforme impecavelmente. A camisa passadinha, a saia plissada, um capricho. Até parecia que ela nunca se sentava, corria ou brincava, pois a roupa dela estava sempre alinhadíssima, sempre limpinha, sempre impecável. Ela era de uma educação, de fala articulada, e um jeito de mexer a cabeça e dar umas piscadinhas que só ela mesmo.
Tive a sorte de me sentar numa carteira na frente da dela. Me sentia o máximo (como eu era tontinho...). É claro que ela nem sabia que eu existia. Ela nem era esnobe, o que me fazia admirá-la ainda mais.
Eu era corintiano. No ano anterior, 1977, o Corinthians tinha saído da fila de 23 anos sem um título, sendo campeão paulista em cima da Ponte Preta, 1 a 0, gol de Basílio.
Numa conversa que tivemos eu, Sandra Sayuri, Patrícia e Frank, perguntamos entre nós para que time cada um torcia. Palmeiras, disse Sandra. E o teu, Vinícius?, me perguntaram. Respondi sem hesitar:
PALMEIRAS.
É óbvio.
Queria que Sandra me visse, ter algo em comum com ela, queria ter sua consideração e admiração, queria fazer parte da turma dela. Não consegui, evidentemente.
Mas não desmudei de time. Sou palmeirense graças à Sandra Sayuri.
Essa é a melhor lembrança que guardo dela, a da japonesinha burguesinha que jamais, nem nessa vida, nem no passado, nem no futuro, nunca, mas nunca mesmo, olharia pra mim, mas que me resgatou das trevas e me trouxe para a luz: transformou um corintiano em palmeirense.
Obrigado, Sandra. Você foi um anjo verde-e-branco em minha vida.
Jamais te esquecerei.
Próximo texto: O PRIMEIRO AMOR
enviada por Vinicius
10/09/2006 00:50
ESTOU VOLTANDO
Após esse hiato de duas semanas, estou voltando.
Estava sem tempo, e passando por uns probleminhas pessoais.
Domingo à noite começarei postando um texto de uma série sobre os meus amores da infância e adolescência.
Até mais.
Abraço do Vinícius
enviada por Vinicius
31/08/2006 01:49
SEJA MEU AMIGO
Estava conversando com um amigo ontem sobre acidentes de trânsito. Batidas, acidentes em que a gente tenha se envolvido, prejuízos financeiros decorrentes desses acidentes, e por aí vai.
Disse ele que, há duas semanas, bateram no carro dele, que gastou uma grana pra consertar, e o escambau.
Cara, algo acontece: meus amigos nunca bateram o carro. NUNCA. Nenhum deles.
Como pode isso?
Cara, só tenho amigos bons motoristas! Que beleza!
Te juro: nunca nenhum deles bateu o carro. Bateram na traseira deles, bateram no carro deles que estava parado na vaga do estacionamento. Eles, é óbvio, nunca bateram o carro. Jamais.
Ah, mas você já bateu o carro, não é mesmo? Não quer que isso aconteça mais?
O que estás esperando então pra se tornar meu amigo?
enviada por Vinicius
25/08/2006 00:16
AH, É, É? episódio 3
Tem gente que merece ouvir certas respostas.
E essas respostas muitas vezes a gente não dá, na hora, ali, no momento, por educação, ou por nervosismo, ou por ser nosso chefe, ou por, simplesmente, "travar" no momento de dar a resposta adequada à estupidez do indivíduo.
São os momentos por mim chamados "Ah é, é?", quando aquela resposta não saiu.
A situação abaixo, vivida por uma amiga minha, é um belo exemplo.
Valeu, Emmy. É nóis!
Texto publicado em 18/08/2006 por Emmy, blogueira amiga do site Cai do Muro
Cego Safado!!
Estava eu, indo para a escola, ônibus cheio. Estava sentada na frente, antes do cobrador, nos bancos de deficientes, grávidas e afins. Pelo meio da multidão notei um casal subindo no coletivo, logo em seguida, percebi que o homem segurava uma daquelas bengalas de cego. Não aparentava ser muito velho, uns 50 anos mais ou menos. "Cavalheira" como eu sou, logo dei meu lugar para ele dizendo: "Hey senhor, senta aqui ó!". Ele então virou pra mim e disse: "Muito obrigado menina dos olhos azuis e cabelos roxos!!".
Pasmei.
É a tal coisa, a "sem-vergonhice" chegou a tal ponto, que tem gente se fazendo de cego pra pegar lugar no ônibus!
Meu comentário:
Olha, poderia ser que talvez o cara tenha te falado dessa forma por ele ter percebido que você achou que ele era cego.
Porém, pelo que você disse, ele está com uma bengala de cego, daquelas retráteis, não é mesmo?
Se for isso o que eu entendi, o que ele merecia ter ouvido é:
Antes desses cabelos roxos ficarem brancos, estes meus olhos azuis ainda hão de ver você entrevado numa cadeira de rodas, filho da puta. E soca essa bengala no teu olho, "aquele", viu?
Leia também:
AH É, É? episódio 1
AH É, É? episódio 2
enviada por Vinicius
22/08/2006 02:01
PSICÓLOGOS: CONFRARIA DOS NOVOS DEUSES
Costumo guardar algumas boas conversas com colegas via MSN. São conversas cujos assuntos são super interessantes, e com pessoas igualmente interessantes, é claro. Eis o trecho de uma delas, cujo assunto ´considero muito importante, bom para o debate:
Vinicius diz:
(...) Sabe, aqui em casa, meus filhos e minha mulher fazem análise.
Colega diz:
E você não?
Vinicius diz:
Não.
Colega diz:
Por quê?
Vinicius diz:
Acho que não preciso, embora todos - eu disse TODOS - achem o contrário.
A psicóloga do meu filho me perguntou o que eu achava disso, de todo mundo na minha casa fazer terapia.
E você consegue imaginar o que eu respondi a ela?
Colega diz:
O quê? [risos]
Vinicius diz:
Ela disse que eu poderia falar a verdade.
E eu disse.
Disse que eu acho bom que eles estejam fazendo terapia, pois, afinal de contas, eles, os psicólogos, estudam pra isso, têm tempo para ficar ouvindo as pessoas, essa era a profissão deles: ouvir, ouvir e ouvir.
Colega diz:
Têm tempo para ficar ouvindo"... há há há!...
Meu pai acha a idéia de fazer análise uma coisa absurda.
Vinicius diz:
Mas a melhor parte da conversa está por vir.
Colega diz:
Quando eu disse a meu pai que pensava em prestar psicologia, ele falou:
Isso não é profissão...Tem cabimento...
Vinicius diz:
Voltando à conversa, eu continuei dizendo que eu tinha um "pé atrás" (preconceito) com os psicólogos.
"Mas por quê?", ela me perguntou.
Disse a ela que, na minha opinião, os psicólogos são os deuses dos dias de hoje, estão a cada dia que passa tomando o lugar de Deus.
No lugar de ir à igreja, as pessoas estão indo "pra terapia".
Nas revistas (Cláudia, Boa Forma, Veja, Isto É, etc), não se aconselha mais a se ter uma religião, ter uma fé. A onda é: "procure um especialista, um psicólogo" pra qualquer problema.
E acho que os psicólogos devem estar unidos numa espécie de "confraria". [teorias da conspiração à parte]
E essa confraria tem o objetivo de espalhar entre os meios de comunicação que "todo mundo precisa de um psicólogo".
Estás triste? Procure um psicólogo para descobrirmos a razão do teu sofrimento!
Estás feliz? Ora, procure um psicólogo para que você não deixe essa felicidade escapar de você...
Colega diz:
Você já leu livros de auto-ajuda?
Vinicius diz:
Não.
Colega diz:
Não leia.
Não valem a pena
Vinicius diz:
Os autores de auto-ajuda estão substituindo os Bispos Macedos...
enviada por Vinicius
14/08/2006 00:29
CITAÇÃO
"Em nossos tempos, tudo parece conter em si o seu contrário. Vemos as máquinas, dotadas do poder de diminuir e frutificar a mão-de-obra humana, impelindo essa mão-de-obra à fome e a sobrecarregando de trabalho. As fontes modernas de riqueza se transformaram em fontes de carência, como sob o efeito de um feitiço estranho. As vitórias da arte parecem ser compradas pela perda do caráter."
KARL MARX
enviada por Vinicius
09/08/2006 01:47
EMPREGADAS E FESTAS DE CASAMENTO
TEXTO 1 de 2
Cacoete De Empregada
Vinícius ... Tinha umas coisas nesta casa que eu não suportava. E todas as outras empregadas faziam. Uma delas era aquela mania de se ficar colocando paninho em tudo: embaixo do videocassete, do aparelho de som, do liquidificador. Ou em cima da geladeira, do freezer, nas prateleiras da estante... Quando eu chegava em casa, vinha tirando todos eles. Eu dava um sumiço neles, mas não tinha jeito: era questão de, em no máximo uma semana, eles voltarem. Todos eles. Por mais que eu insistisse para não colocarem os paninhos dos infernos, lá estavam eles. Ficou pessoal. Meu, que cafonice do cacete, vou te contar... Manja aqueles paninhos feitos de crochê?
Empregada Ah, Vinícius, mas é tão lindo...
Vinícius Olha bem pra mim: se você colocar um paninho desses em algum lugar dessa casa, eu te EXCOMUNGO daqui. E se alguém me ligar pedindo referências tuas, cê vai ver o que eu vou falar. Vou colocar a marca da besta em você. Tu não vais arranjar mais emprego como empregada em lugar nenhum. Você vai poder ter emprego de médica, advogada, arquiteta e o escambau, mas de empregada, nunca mais... Tô falando sério, hein?
Empregada Ah, Vinícius, na minha casa é tudo assim.
Vinícius Aqui não entra mas nem fudendo.
Putz, e aquelas capas que colocam em liquidificador e em botijão de gás...
Empregada Lindo, lindo. Tenho os dois. Ah, não sei por que você não gosta. Fica tão bonito aqueles babadinhos...
Vinícius Jesus Cristo.
Te juro: se você fizer isso, vou perseguir a tua alma.
Empregada Nossa!
TEXTO 2 de 2
Dica importantíssima: Não deixe faltar em sua festa de casamento
Estava ouvindo um programa sobre futebol que tem cinco participantes, cada um torcedor de um time de São Paulo. O locutor palmeirense, ao ser perguntado sobre se iria não ao jogo, disse que não iria porque era padrinho de casamento, e esse casamento aconteceria bem no horário do jogo. Ao que um outro na mesma hora perguntou:
Vai ter pão com carne louca?
A festa de casamento de uma colega minha estava sendo um arraso. Só tinha do bom e do melhor: raviólis, empadinhas, brigadeiros a dar com pau, muito refrigerante, champanhe e cerveja sem miséria. Coisa de louco. Olha, uma baita festa, memorável. Depois de a gente já ter comido bastante, uma outra colega chegou até mim e sentenciou:
Olha, tá tudo muito bom, mas, pra tirar o dez só está faltando aqueles pãezinhos com carne desfiada, manja?
A festa de casamento é única.
Para a mulher, principalmente, é um momento em que ela é o centro das atenções. E nada pode dar errado. Nada MESMO.
Pior do que saírem falando mal da festa somente se o noivo deixar a noiva no altar e não comparecer.
Sendo assim, você mulher, ouça este conselho: festa de casamento de responsa TEM de ter o glorioso, o insuperável PÃO COM CARNE LOUCA, que consiste de um mini-pãozinho recheado com carne desfiada com bastante molho de tomate. O nome não é necessariamente pão com carne louca, há outros nomes, dependendo da cidade, mas o que interessa é que, na tua festa, este item de primeiríssima necessidade não pode faltar mas nem ferrando.
De nada vai adiantar servir champanhe de cem reais a garrafa, um buffet de primeira, fotógrafo idem, não adianta, nada. Vai por mim: você, pessoa de gosto refinado que é, até pode servir todas essas coisas, desde que, dentre elas, esteja em destaque o glorioso PÃO COM CARNE LOUCA.
Eita promoter de casamento o Cidadão aqui, vamos concordar...
enviada por Vinicius
01/08/2006 06:11
PERDEU-SE UMA OPORTUNIDADE
Não podia deixar de falar sobre a morte de Liana Friedenbach, 16, e Felipe Silva Caffé, 19.
Fico imaginando o sofrimento dos pais, principalmente o do pai de Liana, que acompanhou o caso até a condenação dos criminosos. Cara, como sofreu esse pai...
Mas o que eu tenho a dizer sobre este caso é que, mais uma vez, ocorre o caso se ficar falando mal dos culpados de sempre, a mesma ladainha mais uma vez, e todo mundo se indignando, etc, etc. E perdeu-se, mais uma vez, uma oportunidade de se educar, colocar alguma coisa na cabeça oca dos adolescentes.
Lembro-me bem que, mais ou menos uma semana depois do crime (novembro de 2003), o jornal Folha de S. Paulo fez uma pesquisa com adolescentes dos colégios tradicionais, caros, freqüentados por adolescentes do perfil de Liana. Dentre os colégios, estava aquele em que Liana estudava. Não me lembro das porcentagens, mas a maioria achava que, sobretudo, o que ocorreu foi que eles deram azar. Nem irresponsáveis, nem burros, não. Bom, eles podem até ter sido todas essas coisas junto, mas o que eles deram mesmo foi um puta de um azar.
Já fui adolescente cabeça oca.
Defendo a teoria de que adolescentes não vão para o inferno. Para ir para o inferno, é preciso ter alma, coisa que eles dadas as coisas que são capazes de fazer e de não fazer não têm.
O que faz duas pessoas inteligentes irem passar uns dias em um sítio abandonado daqueles, definitivamente na casa do caralho? Te digo: o fato de serem adolescentes. Admito que, no lugar deles, poderia até ter feito o mesmo.
Quando se é adolescente, ocorre aquele momento em que ficamos órfãos, sós. Explico: quando nossos pais parecem não acompanhar nosso raciocínio, entender nossas ansiedades, necessidades e dificuldades e, ao mesmo tempo, ainda não temos amigos íntimos, com quem compartilharmos essas mesmas ansiedades, necessidades e dificuldades; e muitas vezes, quando achamos esse amigo, dada sua falta de experiência, mesmo assim ele não é capaz de ajudar em momentos críticos.
Para um adolescente não existe plano B. E não é otimismo não: é convicção pura. Como aquilo que ele planeja não tem como dar errado, pra que perder tempo com plano B?
Lembro-me de que pedia à minha mãe alguma coisa, e ela me vinha com um monte de perguntas. Como? Quando você volta? E com que dinheiro? E com quem? Quem são essas pessoas? Cara, pra que tanta pergunta?. Na minha mente, tudo não passava de um lance perfeito, e minha mãe só ficava urubuzando a parada. E o que eu fazia pra evitar tanto falatório?
E, fala a verdade, quantas coisas a gente já aprontou quando éramos adolescentes, que hoje, quando nos lembramos, pensamos: puta merda, onde eu tava com a cabeça pra fazer uma coisa daquelas? Tava possuído só podia ser...
Já estive em situações em que podia ter feito uma puta de uma cagada, e não tinha ninguém, amigo ou inimigo, pra me ajudar a decidir. Era eu e eu mesmo. Nessas horas, a lembrança de algo bom ou ruim, Deus, uma frase bem dita ou mal dita, o humor, o exemplo dos pais, podem fazer a diferença por decidir-se entre fazer ou não a bobagem, a cagada, aquilo que pode nos azarar pra sempre, é ou não é?
Conheço o caso de uma menina que foi à uma festa e começou a beber todas. Acordou às 6 da manhã do dia seguinte, na cama de um rapaz desconhecido, com o celular tocando. Era sua mãe, aos prantos, desesperada. Começou a se lembrar, em flashes, como fora a noite, quando conheceu o rapaz... Fez sexo sem proteção. Mas não ficou grávida, e não pegou nenhuma doença.
Um colega meu, acompanhado dos amigos, foi a uma festa, no carro de um deles. Lá, beberam todas. Na volta, todo mundo pra lá de bêbado, o motorista o mais bêbado de todos perdeu o controle do carro. Rodopiaram, saíram da estrada, continuaram a rodopiar no meio do mato, e o carro só foi parar quando bateram numa árvore. O carro deu perda total, mas só houve ferimentos leves. Após perceber que ninguém estava gravemente ferido, esse colega meu ainda me disse que o copo de vinho que estava em sua mão não havia derramado quase nada. Disse isso rindo. Na época, ele tinha 19 anos, média de idade de seus colegas naquele carro.
Conheço gente que foi para noites de drogas (em que alugam casas, ou vão para a casa de alguém para experimentar os "baratos" a "maresia") e voltou. Entenda-se por voltou o fato de a pessoa não ter se tornado viciada em nenhuma das drogas lá experimentadas.
Há muitos outros casos semelhantes a esses. Por outro lado, há histórias em que o início é semelhante, as o final é completamente diferente, como no caso de Liana e Felipe.
E os amigos? Ah, amigo é pra essas coisas, para o que der e vier, não é mesmo? Pois é, pra tudo mesmo, até pra fazer bobagem. As amigas de Liana não se deram conta da gravidade da situação ao serem perguntadas a respeito. E esse gesto de amizade, fraternidade, atrasou a busca pela polícia, prolongando o sofrimento de Liana, e dando mais tempo aos bandidos. Só mais tarde, ao perceberem o que realmente estava acontecendo, resolveram contar. Tarde demais, é claro.
Teve gente que disse que o Champinha e sua turma eram do mal, e que Liana e Felipe eram do bem. Meu, como as pessoas adoram esses pensamentos simplistas.
Esse tal de Champinha e sua turma eram uns animais, é óbvio. E, animais que são, estavam lá, na deles, em seu habitat. Se analisarmos friamente, a culpa (assim, entre aspas) pelo crime deve ser creditada às próprias vítimas, Liana e Felipe. Estes, que eram inteligentes e instruídos, nada tinham que fazer em um lugar abandonado, lugar de ninguém.
O assassino estava lá, pronto para assassinar. E ele cumpriu a parte dele. O casalzinho é que não deveria ter ido lá, pra ser a presa.
Sabe quando você mergulha num rio, sem sequer imaginar que lá tem piranha? Pois é... Você cumpriu o papel de desavisado. E as piranhas, vão cumprir o delas, seguindo a própria natureza.
Ah..., você me diz, mas não justifica alguém cometer um crime daqueles...
Justificar o quê? Pra começar, o tal Champinha, o líder, era meio retardado, e criminoso. E sabe-se bem que um criminoso, um homicida, tem uma lógica própria, exclusiva. Certo e errado, morrer ou viver para esse tipo de pessoa não passam de dois lados de uma mesma moeda.
A mídia em geral só ficou falando em diminuir a maioridade penal, ou a adoção da pena de morte para crimes hediondos, demomizando (como se fosse preciso) o assassino e endeusando o casal.
É fácil falar em endurecer a maioridade em momentos desses. Ou em pena de morte.
Sou contra a pena de morte. Apesar de não ser contra a priori, por não considerá-la moralmente incorreta, acho-a impossível de ser posta em prática, dadas as falhas no sistema judiciário. Os condenados seriam os mesmos PPP (pretos, pobres e prostitutas). Duvido, mas eu duvido MESMO que Pimenta Neves ou Suzane Von Richtofen viessem parar numa cadeira elétrica. Agora, com relação aos irmãos Cravinhos, tenho certeza de que iriam, mas certeza MESMO.
Mas, ao invés de declarar ódio ao assassino e endeusar o casal morto, o que a mídia deveria ter frisado é a inconseqüência e a irresponsabilidade dos adolescentes, o como isso pode ser perigoso e devastador na vida deles e das pessoas que os rodeiam. Sim, o assassino assassinou. Mas que o casal foi irresponsável, isso foi. Deram uma puta mancada. E muitas lições poderiam ter sido tiradas deste pavoroso episódio.
*************
Esses últimos dois textos trataram de crimes atuais de grande repercussão, e achei que não poderia deixar de refletir sobre eles com vocês, leitores.
Abraço do Vinícius
enviada por Vinicius
25/07/2006 09:42
INTRIGANTE
No blig dedicado ao Caso Richtofen, constata-se a indignação das pessoas, através de seus comentários, que ficam entre essa vagabunda tinha de morrer, e ela deveria ter uma morte bem dolorosa, tipo enfiar um braço em um formigueiro, depois o outro, pra que ela sinta muito dor, pra começar...
Eu, particularmente, só acho que ela tinha de ser condenada pelo simples fato de se ter matado alguém por motivo diferente de legítima defesa.
Todo mundo já se indignou. Eu também. Mas só ouço as pessoas repetindo a mesma ladainha, sem acrescentar muito pouco de novo no sentido de se tentar entender, ou encontrar alguma lógica.
No caso de Suzane, o que mais me intriga não é o crime em si, mas sim o fato de algumas peças não se encaixarem. Explico.
O que faria você matar alguém, além de legítima defesa?
O ódio por uma determinada pessoa, assim como sentir-se ameaçado por alguém, ou um acesso de raiva, ou estar sob efeito de álcool ou drogas.
Eliminadas as situações acima descritas, restam as possibilidades de você ser um homicida, ou um louco.
Imagino-me agora como um criminoso homicida. Uma vez sendo homicida, a pergunta mais apropriada seria: quem escolher para matar? Pode ser uma circunstância da profissão, como por exemplo, em um roubo (latrocínio), ou troca de tiros com a polícia. Posso até estar enganado, mas creio que, mesmo para um homicida, matar os próprios pais é pouco provável.
Já os loucos, os criminosos psicopatas têm uma lógica própria, bem se sabe. Deles tudo se pode esperar. E como tem gente que não consegue entender isso e se mete em roubadas, como no caso da Liana e Felipe.
Voltando ao caso de Suzane.
Fico pensando no momento em que ela tomou a decisão de matar seus pais.
Muitos acham que foi por dinheiro.
Outros dizem que foi uso de drogas.
Há os que dizem que foi a influência negativa do namorado. No caso deste namorado, o que pode tê-lo feito cogitar em matar o pai da namorada, além da burrice, foi o fato de não serem seus pais.
Só que, para que se mate alguém, excluindo-se as situações acima, seria necessário, a meu ver, uma profunda indiferença, ou um ódio mortal por uma pessoa, para que se possa começar a cogitar a possibilidade de matá-la.
Louca, dizem que ela não era nem um pouco.
Pergunto o que a faria ter esse sentimento de total desprezo, indiferença por seus pais, a ponto de planejar suas mortes?
Apostaria na criação, na educação dada pelos pais. Algum tipo de mau trato, indiferença, ou rigidez, excesso de proibições, enfim, tudo aquilo que pode causar a ira de um filho ou a completa indiferença, tipo tanto faz pra mim, se morresse eu nem ligaria, aliás seria até um favor.
Mas disseram no julgamento que ela era criada com amor, com tudo do bom e do melhor. O que eu gostaria de saber é o que essas testemunhas entendiam por do bom e do melhor.
Até onde minha mente consegue ir, o que eu sei é que quem ama não mata. Se fosse amor o que Suzane sentia por seus pais, certamente nada disso teria ocorrido. Também gostaria de saber o que as testemunhas entendiam por criar alguém com amor. Será que é dar bens materiais, ficando para segundo plano a presença, o passar mais tempo ao lado dos filhos? Sim, porque isso é algo que ocorre com freqüência com as famílias de classe média alta: os pais são ausentes devido à dedicação ao trabalho, comprometendo o relacionamento com os filhos.
Como disse, embora digam o contrário, acho que o problema passou pela relação dela com os pais.
Ela até poderia estar pensando em dinheiro, na forma mais rápida de obtê-lo, mas, para matar os pais seria necessário um forte sentimento negativo, ou a ausência de qualquer sentimento, a mais completa indiferença.
Se não foi isso, então o que seria?
É claro que ela deve ir presa, o que ela fez é hediondo. Porém, além de ficar perplexo, o que eu gostaria, ao invés de ficar mandando ela pro inferno e querendo a cabeça dela numa bandeja, gostaria de saber como realmente as coisas aconteceram, o que realmente tava pegando naquela família.
Costumam chamar de loucura aqueles atos cometidos por uma pessoa que uma sociedade não consegue explicar, como neste caso. Se Suzane não é louca, então o que ela é? Simplesmente malvada? Já nasceu assim, ruim? Se fosse possível voltar no tempo, para a época em que Marísia estava grávida dela, deveria-se então abortá-la. Se fosse permitido a ela nascer, então o que poderia ser feito para se evitar esse comportamento em Suzane?
enviada por Vinicius
14/07/2006 19:07
VOCÊ É ÉTICO?
Suponha que você seja um candidato à Presidência da República, nas seguintes condições:
1. Não há reeleição, e o mandato é de 4 anos;
2. Você foi para o segundo turno, e as atuais pesquisas mostram um equilíbrio entre você e o outro candidato, um empate técnico, ou seja, nada está garantido;
3. As campanhas, tanto a sua como a do seu rival, estão ocorrendo sob rígido controle, sem possibilidade de uso de caixa 2 ou coisa que o valha, portanto;
4. O país passa por diversos problemas, mas um, em especial, está sendo um problema crônico para o país: o desemprego. Estudos (FGV, Dieese, etc) mostram que, para equalizar este problema, seria necessária a criação de pelo menos 10 milhões de empregos.
5. Os mesmos estudos mostram que, à taxa de crescimento atual, só será possível a criação desses 10 milhões de empregos em, pelo menos, 10 anos, ou seja, a cada ano estima-se a criação de 1 milhão de empregos.
6. Você, bom entendedor/entendedora dos problemas do país que é, tem plena convicção de que a sua proposta de governo é melhor do que a do candidato/candidata rival, em todos os aspectos: o problema do desemprego, segurança, infra-estrutura, educação, reforma agrária, enfim, você entende que sua proposta é a melhor para o país.
Em toda cidade visitada, ao conversar com os eleitores (corpo-a-corpo), você nota a preocupação e perguntas freqüentes sobre como será resolvido o problema do desemprego, quantos empregos serão criados e como isso será feito, etc. Você, assim como o seu rival, sempre explica como isso será feito, mas evita falar em números de vagas a serem criadas. Ou seja, você e seu rival, sabendo da realidade, são evasivos, nunca dão uma resposta direta. E você sabe que explicar para o povão utilizando conceitos como taxa de crescimento, PIB e superávit primário é algo que, simplesmente, não dá.
Ocorre que, a dez dias da votação, seu rival surpreende: promete os 10 milhões de empregos e explica como isso vai acontecer em quatro anos. A proposta fantasiosa, é claro também é motivo de chacota por toda a mídia, especializada ou não, taxando-a de conto de fadas, e por aí vai.
A estratégia, porém, dá resultado: nas pesquisas (Ibope, Datafolha), seu rival deu uma boa subida nas pesquisas. Em outras palavras, seu rival foi esperto, velhaco, buscando tirar vantagem da ignorância do povão, mostrando números, dados que o povão - que odeia números - não tem condições de conferir, mas que soaram como algo otimista, que traz esperança.
Embora com chances, sua candidatura fica seriamente ameaçada.
O que fazer?
Seu coordenador de campanha, melhor amigo, confidente, parceiraço, brother mesmo, admite que para reverter a situação seria necessário fazer o mesmo: mentir prometendo o mesmo, sob o risco de também ser incensado pela mídia, porém agradando os eleitores, falando o que eles querem ouvir.
A outra opção seria falar a verdade, e tentar explicar aos eleitores que o que o outro candidato propõe é impossível de se realizar na prática, que não passa de enganação. Porém, dado ao curto espaço de tempo, torna-se quase impossível fazê-lo sem perder a eleição.
Você se convence de que existem, pelo menos até o momento, duas alternativas: mentir e ganhar a eleição ou falar a verdade e perder a eleição. Deve haver um outro jeito, uma outra estratégia para ganhar esta eleição, mas é difícil imaginar o que seria, você pensa.
O que você faria?
1. MENTIRIA, E PRATICAMENTE GARANTIRIA A VITÓRIA, lembrando que o que está em jogo não é a sua vitória pessoal, e sim, os destinos de um país. Seria uma mentira, o que faria com que seus índices de popularidade caíssem à medida que o povão, mais uma vez, viesse a cair na real. Você iria para o sacrifício: sua popularidade cairia, porém acredita você o país estaria em melhores mãos, com um programa de governo muito melhor que o do outro candidato. Ou seja: mesmo com a sua imagem ruim, o povo sairia ganhando.
2. FALARIA A VERDADE, COM POUCA PROBABILIDADE DE VITÓRIA. Nunca antes ninguém tinha feito isso, um ato de coragem seu. Preferiram o caminho mais fácil, a primeira opção acima. Você tentaria, a todo custo, convencer os eleitores sobre a peça de ficção que é a proposta do outro candidato com relação ao desemprego. Sua imagem ficaria intacta, porém o povo quer uma resposta mais otimista e que traga mais esperança.
3. NENHUMA DAS ANTERIORES. TEM que haver um outro jeito. Estou sendo induzido a tomar o caminho mais fácil, estão me testando, tentando descobrir do que eu sou feito. E tenho de agir rápido, você pensa. Que jeito seria esse?
A decisão e sua.
Comente.
enviada por Vinicius
06/07/2006 11:28
DILEMA
Teve um episódio da série C.S.I. (Crime Scene Investigators), do canal Sony, que contou, dentre muitas ótimas histórias, uma que realmente me chamou a atenção. Foi mais ou menos o seguinte:
Já era noite. Uma menina andava tranqüilamente de patinete perto de sua casa. Ao atravessar a rua, é surpreendida pela chegada de um carro, que a atropela, lançado-a a uns 20 metros do local do impacto. O motorista, ao invés de socorrê-la, foge do local sem prestar-lhe socorro. Mais tarde, a menina é encontrada morta.
Entram em cena os peritos. Um homem e uma mulher.
Ninguém testemunhou o acidente. Não havia, até o momento, como identificar o veículo que atropelara a menina. Verificaram, porém, que a placa do carro marcou o corpo da menina. Enfim, conseguiram identificar potenciais veículos que poderiam estar circulando no local e hora do acidente.
Chegam na casa de um senhor de mais ou menos uns sessenta anos, e pedem-lhe para dar uma olhada no carro, que está na garagem. Ao verem o carro, a placa do carro está amassada: aquele era o veículo que atropelara a menina, um carro tipo Jeep. O velho só abaixa a cabeça, não nega nada. Vai preso.
Ao fazerem a perícia no carro, observam que o banco do motorista está muito pra frente, incompatível com a altura do velho, uns 1,80m. Ao ligarem o rádio, um rap do Mos Def toca: não era o velho que dirigia o carro no momento do acidente. O velho, que tem um sobrinho adolescente, precisa ser interrogado de novo. O sobrinho também é chamado.
O episódio mostra, tanto o velho como seu sobrinho, como pessoas indubitavelmente do bem, de boa índole. O velho tinha a ficha limpa, nem multa de trânsito tinha, demonstrava arrependimento. Cuidava do sobrinho, no segundo ano da faculdade, trabalhador, honesto, pá e tal. É claro que, na vida real, não se pode saber assim, de bater o olho, se a pessoa é ou não é boa, mas o episódio se esforça em frisar que se tratavam de duas pessoas de bem, e que aquilo que acontecera veio para arrasar a vida de retidão que eles levavam até então.
No segundo interrogatório, o sobrinho pede ao tio para contar como foi. Deixa que eu conto, interrompe o velho, que admite não estar dirigindo o veículo no momento do acidente por ter problemas em enxergar à noite, passando a direção a seu sobrinho. Assume a responsabilidade pelo ocorrido, por ter deixado a direção do carro nas mãos de alguém sem habilitação para dirigir. O velho também disse que fugira do local por puro medo, covardia, mas que estava ali para pagar o preço.
Os peritos sabiam que o velho estava tentando proteger o sobrinho, pois sabiam que só havia uma pessoa e não duas naquele carro, no momento do acidente.
Perita: Olha, o velho já está sofrendo demais. Vamos deixar pra lá...
Perito: Que é isso? Sabemos que foi o rapaz, temos que ir até o final e provar que foi ele, e não o velho, que atropelou a menina!
Perita: Vamos encarar a realidade: isso não vai trazer a menina de volta.
Perito: Não vai, mas e os pais dela, que querem simplesmente que seja feita a justiça?
Perita: Os pais já têm a justiça: alguém já está pagando pela morte da filha deles. Que diferença vai fazer pra eles quem seja?
Perito: Você sabe qual é o nosso dever: o de trazer à tona nada mais do que a verdade, nada mais que isso.
No terceiro interrogatório, o velho deixa seu sobrinho contar a verdade: estava ele voltando do trabalho, dirigindo o carro, quando o celular toca: era seu tio. Depois de uma conversa curta, abaixa-se para colocar o celular no console do carro. Quando olha pra frente, avista a menina, só que não a tempo de evitar o atropelamento. Com medo, volta pra casa, e conta tudo ao tio.
Eu vou ficar bem, tio, pode deixar, diz o rapaz, sendo algemado. Seu tio, por sua vez, implora aos peritos e policiais presentes para que o mantenham preso.
Esse rapaz é um ótimo menino, tem um grande futuro, está na faculdade, tem boas notas, alguém de quem qualquer um se orgulharia. Eu já vivi a minha vida, e posso ficar aqui no lugar dele. Aquilo foi um acidente, eu sei que não dá pra voltar atrás, mas não se pode arruinar a vida de alguém por ter tirado a vida de outra por acidente. Por isso, deixem-me pagar a pena no lugar de meu sobrinho. A família da menina verá alguém pagando pela morte dela, e um rapaz não terá sua vida interrompida.
A cena do velho se despedindo de seu sobrinho é muito triste.
Essa é uma das histórias que tem a ver com o lema deste blog:
FAÇA BOAS PERGUNTAS
O que a história propõe é uma reflexão, principalmente, sobre os dilemas que a busca da verdade, ética e justiça podem trazer.
E o dilema aqui é algo fortíssimo.
No caso acima, todos têm suas razões, muito bem fundamentadas.
O autor do episódio optou pela verdade (a posição do perito) para a conclusão do episódio: o rapaz foi preso.
Para a perita, porém, a opção seria por atender a vontade do velho, poupando seu sobrinho.
Para o sobrinho, também a opção seria a de contar a verdade, não deixando seu tio pagar por algo cuja culpa (sem-intenção) tenha sido dele.
Para o velho, a opção por poupar seu sobrinho se devia ao fato de este ser uma pessoa de bem que teria a vida arruinada devido a uma distração, distração essa causada por uma conversa ao celular.
E você?
O que faria no lugar de cada um deles?
Já esteve em uma situação dessas?
enviada por Vinicius
03/07/2006 00:19
O DURO É A VOLTA À REALIDADE...
Mesmo para quem só assiste jogo de futebol quando a seleção brasileira joga, dava pra ver que ia acabar dando em merda, é ou não é?
A pessoa pode nunca ter assistido a um jogo de futebol na vida, mas é só colocá-la em frente a uma televisão que ela saberá, em pouco tempo, quando um time está jogando melhor do que o outro, que um time está chegando mais vezes perto do gol do que o outro. Basta observar um pouco. Nem é preciso ser um Juca Kfouri ou um Paulo Vinícius Coelho pra perceber isso, porra!
E o Parreira, com aquela cara de Kiko (do Chaves), insistia em cometer o mesmo erro. Depois querem que a gente, o povão, não ache que forças ocultas (patrocinadores, cartolas, o imperialismo americano, etc) o forçaram a fazer isso.
No jogo contra a França, porém, Parreira fez uma pequena mudança que agradou a muitos comentaristas esportivos (graaaande merda): teoricamente, o time ficaria um pouco melhor, agora com Ronaldinho jogando no ataque junto com Ronaldo.
Ocorre que, somando-se à teimosia do Parreira, ocorreu algo inesperado com os jogadores: o time jogou com o dedo socado no cu (ficou apático, na linguagem dos comentaristas esportivos).
Puta que pariu, viu... Faz parte.
O duro vai ser voltar à realidade do futebol brasileiro: Depois de assistir a Portugal, França, Alemanha, Klose, Zidane, voltar a assistir a Palmeiras, Corinthians, Rosembrick, Paulo Almeida...
Vai ser o cu da cobra. De dar depressão mesmo.
enviada por Vinicius
27/06/2006 02:31
FRASES QUE EU AMO ODIAR parte 1
Cara, como eu odeio essa frase:
"No final tudo dá certo. Se ainda não deu, é por que não chegou o fim..."
Quem poderia conceber tal idéia?
O mesmo que concebeu esta:
Deus é amor.
O amor é cego.
Steve Wonder é cego.
Logo, Steve Wonder é Deus.
O pior é que essa frase é dita por muita gente como se fosse exemplo de sabedoria, lance de auto-ajuda, ou quando se quer aplicar aquela frase de efeito pra fazer aquela média.
Misericórdia.
Conheço várias frases desse tipo. Mas essa é a top of my mind , manja?
Ao deparar-me com um ser que ousa pronunciar tal frase, sinto aquela vontade de ministrar-lhe a seguinte aula:
Ah, você concorda?
Então lá vai:
Silogismo
(do Lat. sylligismu < Gr. syllogismós, argumento)
s. m.,
argumento ou raciocínio formado de três proposições - a maior, a menor (premissas) e a conclusão, sendo esta deduzida da maior, por intermédio da menor;
raciocínio dedutivo.
Enfim, Silogismo é o raciocínio formado de duas verdades ou supostas verdades (premissas) comparadas entre si e de uma conclusão tirada delas.
Proposição Maior: No final tudo dá certo
Proposição Menor: ainda não deu certo
Conclusão: ainda não chegou o final
O silogismo, como no caso da célebre frase acima, pode acabar resultando em uma conclusão totalmente cretina. Nesse caso, passa a se chamar Sofisma.
Entendeu, amigão? SOFISMA!
Agora, cá entra nós, amigo, você não tem medo de um raio te partir em duas bandas quando você pronuncia uma asneira desse calibre?
enviada por Vinicius
18/06/2006 12:59
CONSELHO AMOROSO
Um estagiário meu foi, na semana passada, assistir a uma peça de teatro. Sua professora, não sei de que matéria, faria uma prova cujo tema seria essa tal peça. Convidou sua namorada para o programão. Quando chegaram na estação de metrô mais próxima, pegaram um táxi para chegar até o teatro.
Que teatro?
O tal teatro era um galpão. Poltronas, é claro, não haviam, e sim um monte de cadeiras num canto do galpão: cada um pegava a sua, e se acomodava no melhor lugar para assistir a peça.
Que peça?
A tal peça foi uma merda, ruim de doer: sem pé nem cabeça, confusa, uma história estranha de pessoas que já haviam morrido num acidente e não se conheciam, exceto duas delas, e que acaba no meio do nada, com as luzes apagadas. E a platéia fica lá, parada, esperando que a peça continue. Que nada: aquilo era o fim da peça.
Pra piorar, nem é preciso dizer que a namorada ficou falando um monte durante a volta. Pra piorar, ela decidiu voltar, de salto alto, a pé até o metrô, um caminho de meia hora. Aí é que o humor dela azedou pra valer.
No outro dia, ao questionarem a professora sobre a peça, esta disse que não era necessário entender a história, e sim a mensagem que a peça queria transmitir...
Mas, que mensagem, porra?
A tal mensagem foi exatamente o tema da tal prova.
Descobriu-se, ainda, que o diretor da tal peça era filho da professora.
Tá explicado. Só assim mesmo para levar pessoas a assistirem a algo tão ruim. Os alunos, sabendo disso, deveriam ter colocado na prova coisas do tipo a mãe do diretor dessa bosta de peça tá na zona, a única crítica que esse diretor ouve é a da mãe, ô diretorzinho filho da puta, e por aí vai. Mas não colocaram. A educação deles não permitiu isso. Mas vontade não faltou.
O saldo, para o meu estagiário, foi uma peça mico, e a relação com a namorada abalada. Abalada, é claro. Ela deve estar pensando: dizem que depois do casamento, piora. Se ele, agora, já tem esse mau gosto, imagina depois! Que outros micos me aguardam? Se bem que não foi um mico, foi um chimpanzé bem gordo....
Foi aí que eu entrei em ação.
Eu e meus conselhos firmeza.
Disse a ele que, para compensar aquele mico fenomenal, só havia um jeito: comprar dois ingressoa para assistir à peça O Fantasma da Ópera. Duzentos reais o convite.
Estagiário: Cê tá louco?! Quatrocentos reais?
Vinícius: Olha, a situação exige. Depois da peça, fica tudo uma maravilha, tô falando...
Estagiário: Eu sou estagiário, esqueceu? E onde eu vou arranjar quatrocentos reais?
Vinícius: Ah, véio, sei lá... Faz em dez vezes no cartão de crédito, faz um CDC, empréstimo, se vira...
Olha, vai por mim que não tem erro: ela vai ficar maravilhada. Se eu levasse minha mulher para assistir a uma peça dessas, ela iria dar pra mim sete dias na semana, altas putarias. Ia ser foda mesmo.
Fala a verdade: conselheiro amoroso fudido pra caralho o cara aqui, né não?
enviada por Vinicius
13/06/2006 21:57
BRASIL X CROÁCIA: FINALMENTE ESTA SELEÇÃO JOGOU!
Tá todo mundo falando que a Seleção jogou pouco.
Na minha humilde opinião, jogou bem pra caramba, contra uma boa equipe, que marca bem pra caramba, mas que não é boa pra chutar a gol. Acho que esses croatas vão ficar com uma das duas vagas do grupo. Porque a outra, é claro, é do Brasil. Quanto à substituição do Ronaldo pelo Robinho, acho que foi acertada, pois, para aquele jogo, retrancado, é necessário alguém com mais mobilidade, que é o caso do Robinho. O Ronaldo vai bem em jogos mais abertos.
Bom, mas o que eu realmente tenho a dizer é:
Cara, ainda bem que o Brasil estreou na Copa do Mundo de futebol!
Ocorre é que a imprensa foi cedo demais para a Alemanha e, na falta de ter do que falar, ficava enchendo lingüiça.
Mostraram a bunda do Ronaldinho gaúcho, as bolhas no pé do Ronaldo, coletiva (unilateral)com o Presidente Lula, jornal de esportes falando sobra a Raica, namorado do Ronaldo, entrevista com a Raica...
E aquela entrevista coletiva com o Parreira em que aquela repórter, na mais flagrante falta de ter o que perguntar, perguntou ao técnico da Seleção se ele estava preparado fisicamente para a Copa? Foi o cu da cobra, né não?
E o canal pago Sportv, que ficava transmitindo o treino da Seleção, ao vivo? Os jogadores fazendo aquecimento, um jogando a bola pro outro. E até narração tinha! Meu, vai te catar! Chato demais, véio...
Mas o troféu mesmo vai pra Fátima Bernardes querendo ser a musa da Copa. Chaaaaaaaaaaaaaaaaaato demais.
Olha, eu sei que a imprensa vai ficar regurgitando e ruminando esse jogo do Brasil com a Croácia, falando, teorizando, enchendo o saco, mostrando o povão feliz, pá e tal.
Pelo menos vão passar a falar mais de futebol. Porque tava chato demais, viu, vou te contar.
As únicas mulheres que ficariam bem ali seriam a Marília Ruiz, do jornal Lance! ou a Soninha Francine, do canal pago ESPN Brasil.
Fátima Bernardes está fora de seu elemento. Chato de doer.
E até domingo, dia do outro jogo, tem chão.
Agüenta, coração!
enviada por Vinicius
09/06/2006 05:25
AMIZADE? QUE HISTÓRIA É ESSA?
Há duas semanas, o noveleiro Tiago Santiago reuniu-se com o bispo Honorilton Gonçalves, superintendente da Rede Record. Eles trataram do destino de uma dupla de personagens do folhetim Prova de Amor, criado por Santiago. O autor, que há pouco bolou um recurso inédito no gênero ao conceber um capítulo interativo no qual os espectadores puderam votar sobre os rumos da trama, pretendia fazer uma nova consulta, dessa vez sobre a relação da assistente social Janice (Fernanda Nobre) com a aspirante a escritora Raquel (Maria Ribeiro). A audiência escolheria se a intimidade entre ambas terminaria por desembocar num romance lésbico, com direito a beijo. O bispo demoveu Santiago da idéia. "Havia sempre o risco de o público votar 'sim', o que seria impróprio para o horário", diz o autor. Nos bastidores, sabe-se que não se trata de mera questão de classificação etária. Nas bases da Igreja Universal do Reino de Deus, dona da emissora, há quem pressione contra a violência e as cenas sensuais dos folhetins da casa e beijo lésbico já seria demais. "Tudo bem: vou tratar a amizade delas apenas como um caso de amor espiritual. Mas voltarei ao tema gay em outra novela", diz Santiago.
(FONTE: Revista VEJA, Edição 1959. 07/06/2006)
Quero falar sobre como a mídia e certos autores, artistas, noveleiros, etc tratam questões sérias e complexas de forma simplista.
E sexualidade é, e sempre será, um tema complexo, assim como relacionamentos, infidelidade no casamento, educação dos filhos, e por aí vai. A grande maioria das perguntas acerca destes temas não é respondida simplesmente dizendo-se sim ou não. É o lance do cada caso, um caso, do é preciso que se saiba de mais detalhes para uma resposta mais adequada, ou do muita calma nessa hora, e por aí vai.
Mas a mídia, é claro, dizendo querer ajudar, fazer marketing social, adora querer simplificar as coisas para o povão.
O exemplo do romance lésbico acima ilustra bem o que eu quero dizer: uma das meninas tem uma mãe conservadora, que quer afastar as duas amigas, pá e tal. Com relação à outra menina, não sei bem ao certo se a mãe ou os pais dela, o que sei é que esta tem pais liberais e que dão apoio e têm mente aberta. Enfim, o que quero dizer é que só há para o telespectador uma única resposta: sim, elas devem se beijar e namorar. E por que o sim aqui é a única alternativa? Simples: o autor demoniza o personagem que defende o não (colocando como conservador, careta, etc) e santifica o personagem que defende o sim. É o que chamamos de maniqueísmo.
Teve uma outra novela, só que da Rede Globo, em que teve o mesmo tipo de romance. Nesse caso, o exemplo se repete: de um lado, o pai repressor, irredutível, que era contra o homossexualismo da filha. Do outro, a filha homossexual, bondosa, que acaba por derreter o coração do pai quando este a vê salvando uma vida.
Há muito tempo atrás, no extinto programa Você Decide, em que se votava entre dois finais alternativos, houve também o caso de duas amigas muito próximas, que tinham uma amizade muito forte, etc, etc. A mãe de uma delas era estúpida, feia, uma bruxa mesmo, ignorante e irredutível. A mãe da outra? Linda, meiga, voz doce, cabeça, faça o que manda o seu coração, o importante é que você seja feliz, dizia ela à sua filha. O resultado da votação foi... E você tem alguma dúvida?
Fala a verdade: o povo não decidiu nada, pois o que foi feito, nos casos acima, foi dar a resposta para o telespectador, que acabou somente por referendá-la.
Sabe o que parece? Por exemplo: a criança, que está na segunda série do primeiro grau, acaba de ler o texto sobre o descobrimento do Brasil. Logo em seguida, um questionário. Questão número 1 - Preencha a lacuna: quem descobriu o Brasil foi .................................. .
É claro que novela é tudo igual, onde o bem e o mal são bem definidos, onde raramente existe o dúbio, o cinza. O que acho que seria justo e realmente interativo com o povão seria justamente isso, um caso onde realmente houvesse, de propósito, a dúvida, o dilema de um personagem, a sinuca de bico, em que não se ficasse puxando pra lado nenhum. Aí sim eu queria ver.
No caso da forte amizade entre as meninas da novela, dúvida verdadeira seria se, embora de opiniões diferentes, as mães de cada uma delas fossem simpáticas e se relacionassem bem com suas respectivas filhas. A mãe que puxa para o não, ao invés de ser repressora, dissesse à filha algo do tipo: você tem que pensar bem antes de tomar uma decisão dessas... Pode ser apenas um modismo, um lance de oba-oba, sei lá... Você sabia que a maioria dos homossexuais que têm filhos não gostaria que seus viessem a se tornar homossexuais, por causa do sofrimento que eles têm?... É preciso pensar com calma, pois isso terá conseqüências..."
Outra coisa que me chama a atenção nesse caso é a insistência nesse tema de homossexualismo, principalmente o feminino. É um truque para aumentar a audiência, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos. Audiência baixa? Coloque mulheres se beijando.
Uma novela da Rede Globo que teve o mesmo tipo de romance acabou há pouco tempo. Por que voltar a esse assunto tão cedo?
Na minha opinião, essa insistência nesse assunto pode causar um efeito colateral muito ruim.A coisa pode evoluir da seguinte forma:
1- Atualmente, diz-se que amizade entre homem e mulher... É difícil de acreditar...
2- Amizade entre homens... Olha, sei lá, viu, esse mundo de hoje...
3- Amizade entre mulheres... Olha, complicado, viu... Sei não...
4- Amizade?... Que história é essa de amigo(a)?
Hoje, por exemplo, quando um homem diz que vai ao cinema, ou à praia com uma amiga, há sempre aquele ou aquela que diz:
Amiga? Ahã, sei, amiga... Conta outra!
O efeito colateral a que eu me refiro é o de as novelas acabarem por fazer as pessoas estenderem esse pensamento a qualquer forma de amizade, de as pessoas se tornarem extremamente maliciosas, principalmente em relação aos jovens. Ou então que a amizade se torne um termo contaminado semelhante ao que ocorre com a fidelidade do parceiro no casamento:
É... eu confio desconfiando... Sabe como é...
enviada por Vinicius
07/06/2006 03:42
TESTAR DEUS
Homem que queria testar Deus é morto por leões em zoológico
FONTE: ÚLTIMO SEGUNDO
Um homem, de 45 anos, foi atacado e morto por leões ontem (05/06/2006), ao invadir a jaula dos animais no Jardim Zoológico de Kiev, capital da Ucrânia. De acordo com as autoridades, antes do incidente, o homem havia afirmado que queria testar Deus, que o protegeria do ataque das feras.
Para invadir o viveiro, onde estavam quatro leões, ele usou uma corda e desceu o muro. O invasor teria provocado os animais agressivamente e foi atacado inicialmente no pescoço. O homem não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Cena 1
Leão 1 Ih! Ó lá! Que é que aquele cara tá fazendo?
Leão 2 Até já sei... É mais um daqueles fanáticos querendo testar Deus.
Leão 3 É, e tô achando que ele não vai aprender dessa vez. Mas, pelo menos, hoje mesmo ele vai apertar a mão do Criador...
Leão 4 Demorô!
Leão 1 Nem vem, cumpadi, eu vi primeiro!!
Cena 2
Ao notar o homem descendo pela corda, um dos leões dá só uma olhadinha pro companheiro e já avisa:
Da cintura pra cima é meu. Da cintura pra baixo, é seu.
Cena 3
Leão 1 Lá vem mais um daqueles fanáticos achando que Deus vai salvá-los da estupidez que acabou de cometer, entrando aqui...
Leão 2 Pois acho que hoje é o dia de sorte dele: acabamos de comer. Eu não sei quanto a vocês três, mas comi demais. Vou ficar aqui na moral...
Fanático Lelé [dando um tapa nacabeça do Leão 2] PEDALA, leão!!!!! Vem me pegar!!!!!!!
Leão 3 Vixe!!!!! Ih, ó lá, bicho, o homem tá batendo e ele não faz nada! Ah, bicho, você tá afinando. Eu não deixava. Já tinha partido pra cima. Tapa na cabeça? Sem chance, não tem perdão!
Leão 4 Eu não deixava mesmo! O cara precisa aprender a Lei do Mais Forte, Darwinismo, por amor ou pela dor.
Leão 2 Cacete! Vou ter de me levantar daqui... Isso vai me dando um óóóódio!
Cena 4
Leão 1 Ah, não... De novo, não... Ó, hoje é o seu dia de comer fanático sem-noção... Nem adianta olhar pra mim...
enviada por Vinicius
03/06/2006 21:45
VICISSITUDES
Nos meus tempos de ginásio (sétima série), havia um colega que eu julgava ser meu amigo, meu melhor amigo. É claro que não fazia muita idéia do que essa palavra significava direito à época, mas enfim... Era amigo.
Ele era apessoado, vestia-se com roupas de marca, era articulado com as palavras, nada tímido, jogava vôlei e, é claro, fazia sucesso com as garotas.
E eu... Não era nada disso.
Cara, como eu era ingênuo. E ele, não era nada disso.
Estava na casa dele. A gente tinha acabado de fazer um daqueles trabalhos com cartolina, daqueles de colar figuras, pá e tal. A casa tinha um quintal grande, e ele tinha uma bicicleta muito legal (quem era eu pra ter uma bicicleta, coisa rara na época). Ficamos dando umas voltas pelo quintal com a bicicleta, enquanto ficávamos falando besteiras. De repente, ele disse:
Meu, tive uma idéia! Vamos ver quem dá a volta mais rápida no quintal?
Topei na hora.
Você vai primeiro. Vou cronometrar com o meu relógio aqui.
Lá fui eu. Saí no maior pau. Quando estava na metade da volta, eis que sinto o puxão e me vejo caído, com a cara no chão, sem entender nada. Viro-me para meu amigo, e lá está ele, mijando-se de dar risada: sem que eu visse, ele amarrara uma corda na parte de trás da bicicleta.
Levantei-me, rindo também. Continuei amigo dele por um bom tempo, até o fim do ginásio. Daí, cada um foi prum lado. A gente se vê raramente, nesses metrôs da vida.
Só vim parar pra pensar nesse episódio uns quinze anos depois, eu casado, filhos e tudo mais. Só então me atentei para a maldade do amigo.
Foi um sentimento retardado: tudo o que deveria ter sentido naquele dia, mas que não senti devido à minha ingenuidade, senti neste dia em que me lembrei do episódio.
Amigo... Amigo é o caralho!
Quando o vejo, não consigo deixar de me lembrar.
Somos homens agora, aquilo é coisa do passado.
Rancor? Chame do que quiser.
Pode ser efeito do quem bate esquece, mas quem apanha, nunca.
Talvez.
O fato é que eu talvez com a ajuda de Freud nunca o perdoei por isso.
***********
Conheço essa colega há uns vinte anos. Nunca fomos, assim, próximos, a ponto de nos tornarmos amigos, mas enfim, ótima colega. Ela é amiga de minha mulher, que a conhece há muito mais tempo. De tempos em tempos ela dá uma passada aqui em casa para conversar com minha mulher sobre trabalho. Ambas são professoras.
Há mais ou menos uns três anos, tinha acabado de tomar o ônibus, que estava vazio devido ao horário, perto das dez da manhã. Na parada seguinte, eis que entra essa colega que, à época, há muito tempo não vira devido ao trabalho, estudos, etc, etc.
E aí! Há quanto tempo, hein?, disse ela ao me avistar, logo da porta do ônibus. Sentava-me ao lado da janela, mais ou menos no meio do ônibus. Após ter passado pela catraca do cobrador, ela continuou falando comigo. Passou por mim e... Foi se sentar do outro lado do corredor, naqueles bancos altos, que ficam em cima da roda de trás do ônibus, aquele banco de onde se tem uma vista melhor, mais panorâmica, porém onde se sentem mais as chacoalhadas, quando o ônibus passa por uma lombada, por exemplo. E de lá continuou a falar comigo, até que eu, com cara de paisagem, fui aos poucos terminando a conversa. Afinal, era mais importante o banco alto do ônibus do que conversar comigo.
Que coisa... Ser preterido por um banco de ônibus.
Isso que é massagem no ego... Com um rolo compressor.
Isso foi bom para eu avaliar o meu potencial sem-gracístico, bem alto na época.
Pouca coisa mudou, é verdade...
enviada por Vinicius
31/05/2006 09:20
NEXO CAUSAL
Essa conversa ocorreu há mais ou menos vinte anos.
Conversava com dois colegas de colégio sobre um filme que a gente acabara de assistir:: O filme era Ana Terra, adaptação do livro de mesmo nome, de Érico Veríssimo. E o livro a gente já tinha lido.
No livro, Ana Terra tem um caso com o índio Antônio Conselheiro. Este, em um dado momento, diz à Ana que previu a própria morte, e que será morto pela própria família da moça.
E não dá outra: ela fica grávida, o pai descobre. E os irmãos de Ana levam o índio para um lugar, matam-no e o enterram.
Lembro-me bem do trecho em que os irmãos chegam com a pá, após "terminarem o serviço".
Voltando à conversa sobre o filme. Um dos colegas, ao comentar este trecho do filme, disse:
Pô, bicho, ele deveria ter feito alguma coisa, sei lá... Ah, meu, eu teria fugido, eu é que não ficaria lá, sei lá...
Um minuto de silêncio.
Foi quando que, ao mesmo tempo, eu e o outro colega (que veio a se tornar meu melhor amigo, e o é até hoje), falamos juntos, como dois irmãos siameses, a frase:
Mas se ele previu o que iria acontecer com ele, como é que poderia acontecer algo diferente?
***********
No meu trabalho, sou supervisor de uma das subdivisões de uma secretaria.
Há mais ou menos três anos, em uma seção vizinha à minha, entraram três funcionárias novas.
Uma delas me chamou a atenção. Não só a minha, mas a de todos: ela tinha uns hábitos "estranhos". Sinistra mesmo.
Explico. A primeira coisa que ela fez ao chegar foi borrifar uma água. Não sei que tipo de água era. Cara, era esquisito demais tudo aquilo. Depois ela colocou um copo com sal grosso e cabeças de alho sobre a CPU do computador. E todo dia, ao chegar, ela borrifava aquela água. Ninguém se atrevia a perguntar que porra era tudo aquilo. Nem a porra da água, muito menos a porra do copo.
Até que um dia ela pediu para sair do setor. Os colegas, é claro, queriam saber o porquê. A mulher disse que sua cartomante previra que ela iria trabalhar em "um lugar muito carregado, cheio de energias negativas". E que, por isso, teria de sair de lá.
No outro dia, limpou as gavetas e foi embora.
O pior mesmo é que o pessoal ficou sentido, pensando estarem em um ambiente "carregado", ou coisa que o valha.
Aproveitei-me do momento supersticioso para consolar o pessoal:
Olha, a vidente disse que ela iria trabalhar em um ambiente "carregado", não é mesmo? Então, se ela saiu daqui, o que ela foi fazer foi ir de encontro ao seu inescapável destino. Se ela vai trabalhar em um ambiente "carregado", com certeza tal lugar não há de ser aqui. Caso contrário ela aqui teria ficado!
Mas a mulher não levou o copo com sal grosso e cabeças de alho.
Toda vez que eu passava pelo setor, lá estava o copo.
Depois de um mês, vendo que ninguém tocava no copo, perguntei às colegas que trabalhavam com ela o porquê de o copo ainda estar lá. E elas diziam que o copo não era problema, pois "não estava fazendo mal a ninguém".
Posso jogar fora?, perguntei a elas. E elas foram pedir permissão para a mulher. E, de seu novo setor, a mulher autorizou que assim fosse feito. Mas ninguém se atreveu a mexer no famigerado copo. Joguei-o no lixo. Se eu não tivesse feito isso, tenho certeza, o copo estaria lá até hoje.
***********
Sempre que lembro desse assunto, vem-me à mente a seguinte história:
No meio da noite, Ermenegildo teve uma visão: sonhara estar em um avião, lendo os números da Mega-Sena. Era a única parte que ele conseguia se lembrar do sonho.
Pensou: vou apostar esses números, lógico. Dos números ele se lembrava bem. Anotou-os em um papel.
No outro dia, como estava sem tempo e atrasado para o trabalho, deixou os números para sua mulher ir à casa lotérica apostar. O dia seria corrido, e à noite teria de pegar um avião para o Rio de Janeiro, onde haveria uma importante reunião de negócios.
No vôo de volta para São Paulo, lá estava Ermenegildo no tal avião. Era o avião. E, à sua frente, estava o jornal. Neste momento, sentiu um aperto no coração, aquele sentimento de que algo tinha de estar errado. Foi quando se lembrou de ligar para sua mulher.
Escuta, você apostou os números na Mega-Sena, não foi?
Que números? Ah, esses aqui, em cima da mesa de centro?
Mas é claro!
Olha, até vi os números. Mas não sabia o que era. E você não me disse nada sobre apostar em Mega-Sena, ou seja lá o que for...Você bebeu, é?
Tá...
Bom, já que já tinha ido tudo pro espaço mesmo, só restava ler o jornal. Afinal, tinha sido só um sonho, consolava-se. Além do mais, azarado do jeito que era, somando-se ao fato da baixíssima probabilidade de alguém ganhar numa loteria daquelas... Normal. A vida continua.
Logo na primeira página do jornal, os números sorteados. Exatamente como havia sonhado. Os mesmos números.
Não sabia nem o que sentir, mas a gastrite nervosa voltara com força.
Foi nesse momento que se lembrou do resto do sonho: um único apostador, de Roraima, havia acertado as seis dezenas.
enviada por Vinicius
23/05/2006 03:31
INFERNO
Michael Ouvi dizer que você é um padre.
Eko Sim.
Michael Acho que você acredita em inferno, então.
Eko Servi numa pequena paróquia na Inglaterra, durante um breve período.
Todo domingo, depois da missa, eu via um garoto no fundo da igreja, esperando.
Um dia, o garoto me confessou que havia matado seu cachorro a pancadas, com uma pá. Ele me disse que o cachorro havia mordido sua irmãzinha na bochecha. E ele precisava protegê-la.
E queria saber se iria para o inferno por causa disso.
Disse a ele que Deus entenderia, que ele seria perdoado... Se realmente estivesse arrependido.
Mas o garoto não ligava para o perdão.
Ele só tinha medo de que, se fosse para o inferno, o cachorro estaria lá, esperando por ele.
EXTRAÍDO DO SERIADO LOST, SEGUNDA TEMPORADA, CAPÍTULO 23 ("3 MINUTES")
enviada por Vinicius
23/05/2006 03:20
AH, É, É? episódio 3
Dono da Verdade é a CASA DO CARALHO!!!
enviada por Vinicius
19/05/2006 03:12
OPINIÃO QUE EU NÃO POSSO TER
Trechos da conversa via MSN que tive com Andrea C., blogueira amiga do site Com o Pé na Cova .
Vinícius - ( ... ) Meu, você leu o comentário da Rose lá no meu blog?
Andrea C. - Não. Qual Rose?
Vinícius - A do Contos Eróticos .
Andrea C. - Não li
Vinícius - Dá uma lida, e me diz o que você acha.
Comentário da Rose:
Olá, amigo... O engraçado é que, se fosse ao contrário, em vez de filha você tivesse filho, você diria: vá em frente... Coma todas....
Pois é... Quando se trata das filhas dos outros tudo bem... Mas do contrário as coisas mudam...
Mas o maior problema é que as filhas crescem, deixam de ser as princesinhas do papai para se tornarem mulheres, mas aos olhos paternos serão eternamente crianças...
Beijos e bom fim de semana...
rosetigreza.blogspot.com
Minha réplica ao comentário da Rose:
Não, Rose.
Pode acreditar: jamais diria algo assim a um filho meu.
Quando eu era moleque, era inconseqüente, assim como todos da mesma idade. Agia por reflexo, instinto.
Sou homem agora.
Meu filho pode até não me ouvir, mas sempre direi a ele para ele ter responsabilidade, que saiba o que está fazendo, que saiba que mulher não é objeto, que mulher procura um homem que dê o que ela merece.
Abraço do Vinícius, o Cidadão Mediano
cidadaomediano.blig.ig.com.br
Andrea C. - Bom, sorry, mas ela está certa. É assim mesmo que acontece
Vinícius - Mas você acha que é certo?
Andrea C. - Tenho bastante experiência nisso, já que tenho um monte de amigas com filhos grandes e é assim mesmo que os pais agem.
Dois pesos e duas medidas.
O erro não é da Rose, é dos pais que incentivam os filhos homens a serem assim, "come todas". E isso é verdade.
Tenho amigos que eram os terríveis, e depois que tiveram filhas mulheres ficaram horrorizados por estar do outro lado.
Vinícius - Você leu a minha réplica?
Andrea C. - Mas isso é o que você diz agora que tem filha mulher. Se tivesse um filho homem, pode ser que achasse até engraçado se ele saísse com todas. Não diga não. É uma incógnita. O fato de ela ser mulher muda você e o que você poderia ter feito.
Vinícius - Falei com meu estagiário sobre isso, e ele concordou com ela, que com homem é diferente, tem mais é que dizer pra comer todas mesmo.
Andrea C. - Viu? Todo homem dá esse conselho pro filho. Pode ter certeza, mesmo quando tem uma filha. Pra ele a filha dos outros não é da conta dele. Triste, mas é assim.
Vinícius - É lamentável saber que, por mais que eu fale, ninguém acreditará.
Acharão que falo da boca pra fora.
Que sou demagogo.
Andrea C. - Não é não acreditar em você. Mas é que você nunca vai saber como agiria se tivesse um homem em casa em vez de mulher. Talvez não incentivasse, mas também não culpasse.
(...)
Vinícius - É igual ao caso da mulher, ou homem, que tem um monte de filhos do mesmo sexo, por "tentar uma menina", ou "tentar um menino".
Tenho filhos dos dois sexos.
E digo que, se tivesse tido duas meninas ou dois meninos, mesmo assim pararia por aí.
Mas sei que essa é uma OPINIÃO QUE EU ESTOU PROIBIDO DE TER, pelo fato de eu ter um casal.
Falariam exatamente o que você acabou de me dizer: Você só fala isso porque teve o casal. Se não tivesse, teria tentado o terceiro filho (ou filha).
Só quem pode dar uma opinião dessas é alguém como o meu cunhado, por exemplo, que teve duas filhas e parou por aí.
Te digo, embora não acredite, existem certas coisas que são certas independentemente da forma como a gente age na vida real, ali, ao vivo.
Não se pode amar mais a um filho do que ao outro, pelo fato de serem de sexos diferentes. Ou não se pode deixar de amar o terceiro, ou o segundo filho, por estes não terem sido do sexo que os pais queriam.
Da mesma forma, não se pode educar filhos com total libertinagem, do tipo "coma todas", enquanto que para a sua filha você diz para se manter virgem.
No caso da minha filha, aquilo que eu mais temo não é que ela seja virgem ou devassa, que dê para todos.
O que eu mais tenho medo é dos primeiros namorados, quando ela é nova, "bobinha", e pode ser engambelada por um cara mal intencionado, que só quer levá-la pra cama. E se só levasse pra cama ainda vá lá. O pior mesmo é se o cara acabar levando ela pra drogas, etc ou coisa que o valha.
O mínimo que eu quero do namorado da minha filha é que ele seja bem intencionado, que me olhe nos olhos, mesmo eu sabendo que ele "tá pegando", pois sei que - mesmo morto de ciúme - isso faz parte.
E, é claro, desejo para ela que ele [o homem que ELA venha a escolher] seja macho feito eu, que pegue ela de jeito, aquela putaria do caralho non stop que mencionei no texto "ANIVERSÁRIOS", de 19 de abril.
Uma colega minha, ao falar sobre terrorismo, taleban, etc, sobre aquele lance de no céu dos muçulmanos haver 70 virgens para cada um que morresse por Alá, comentou: ah, seria bom demais um céu desses. Só que, é claro, eu iria querer 70 homens virgens... Não... Virgens não... Garanhões!
Agora, admita: as mães, assim como os pais, tratam os filhos do mesmo jeito: para o filho, "coma todas", e para a filha, "seja comportada", não é mesmo?
Andrea C. - Depende da mãe. Tem mãe que gosta que a filha tenha um monte de homem.
Não se esqueça de que, nos dias de hoje, nada mais é como era antes e mães não gostam de filhas que não rebolem como a Carla Perez. ( ... )
Hoje em dia, mulher é carne no açougue, e só parecem estar felizes se têm um macho do lado, mesmo que seja uma merda de macho.
No fim, você tem que rezar pelo melhor, meu amigo e esperar que ela seja esperta e não entre nas ondas das meninas de hoje em dia.
Vinícius - O meu medo maior é só esse, que ela esteja com alguém por se sentir imposta, obrigada por diversas forças, como as "amigas", a cultura, enfim, por todos os motivos, menos o de QUERER de verdade, sentir o tesão, manja?
Andrea C. - Mas esteja preparado. O mundo de hoje criou mulheres robóticas prontas sempre a serem padronizadas. Ponha o máximo de lenha na cabecinha dela, para que ela aprenda a pensar sozinha e não dependa de opiniões. Isso é o melhor que ela pode ter de você.
Vinícius - Vou colocar isso no blog.
Não sei exatamente o formato, mas vou colocar.
Embora sei que, assim como você, ninguém vai acreditar.
Ninguém vai acreditar que eu jamais falaria coisas desse tipo ["coma todas"] para o meu filho, como falou a Rose, concordou o meu estagiário, e você sentenciou... ( ... )
Andrea C. - Você está vendo pelo lado errado. Não é não acreditar em você, é saber que o mundo em geral roda desse jeito. E que você se preocupa por ter filha mulher, mas, se não tivesse, não pode prever como agiria com seu filho homem.
Vinícius - Você está dizendo que as circunstâncias é que constróem a minha opinião, que a conveniência é que não me deixa pensar de outra forma.
Que a circunstância forma a minha opinião.
Você pode não acreditar, mas como isso não é verdade.
Queria estar olhando nos teus olhos verdes ao te dizer isso.
Olho no olho.
Pena...
Andrea C. - Não foi isso exatamente que eu disse. Digamos que, se você só tivesse filhos, talvez nem estivesse preocupado com filhos em geral, apesar de não incentivar seus filhos a "comer todas", poderia se abster de repreendê-los. Entendeu?
Vinícius - [Olhando nos teus olhos] Não, Andréa.
Jamais incentivaria isso.
Nunca em minha vida.
Sei o que são dois pesos e duas medidas.
Meu filho pode até não me ouvir.
Não ouvir meus conselhos.
Diria a ele: você acha então que eu deveria ter comido a tua mãe e sair fora?
Andrea C. - Mas foi o que eu disse, que você não incentivaria, mas será que queimaria tanto os miolos no assunto?
Ter filha mulher muda toda perspectiva do homem. Ele vê como o mundo é duro hoje em dia com as garotas e se desespera.
Vinícius - Mas me preocupo como meu filho da mesma forma.
Como a sociedade o encoraja a ser promíscuo e inconseqüente, ele corre muito mais riscos que a menina.
Andrea C. - Mas os meninos têm menos com o que se preocupar, a não ser a segurança deles. Para os homens está mais fácil do que nunca se movimentar no mundo
Vinícius - Ele pode engravidar, pegar doença, ou ter de parar de estudar para sustentar o filho e a mulher. Sim, porque se ele fizer isso, Vai assumir as responsabilidades, ah se vai.
Andrea C. - Hehehehe, é bom mesmo...
Vinícius - Eu sei que o mundo é mais injusto com as mulheres. ( ... )
Bom, posso postar essa nossa conversa?
Andrea C. - Pode sim. Não falamos nada que nos envergonhe, certo?
Minhas considerações:
1 Por experiência própria, por vivência, você constata que mais ou menos 98% dos casamentos dão errado. Significa então que pode-se dizer a qualquer noivo ou noiva que seus casamentos darão errado, não é?
Sua amiga (ou amigo) vai se casar. Baseado na sua constatação de que os casamentos dão errado, você perguntaria tranqüilamente a ela (ou ele) quando seria a separação, correto?
Tem muita gente que não está se casando mais, está vivendo com os pais aos 30, 40 anos. Pode-se afirmar que isso se deve, dentre outros motivos, ao fato de que essas pessoas são bem realistas e sabem que casamentos não dão certo. É isso?
2 Todas as suas amigas foram traídas pelos maridos ou namorados.
Isso faz de todo homem um infiel, correto?
Você não se envolve mais com nenhum homem, pois sabe que eles são infiéis, certo?
Ou então você, já de cara, aceita a traição dele, pois são todos iguais, é ou não é?
3 Você está em Salvador-BA.
É sexta-feira, e você está todo de branco.
Você é do candomblé, é claro!
Ah, você se vestiu de branco porque você gosta de branco?
Nada disso, você é do candomblé.
Em Salvador, sexta-feira, de branco: é do candomblé. Ponto.
Por não ter uma sonoridade legal, escolhi o título acima. Mas o título que eu realmente queria colocar é esse:
A generalização tira do outro o direito de ter opinião
enviada por Vinicius
18/05/2006 08:48
"GÜENTA" A MÃO AÍ...
Esse último texto que postei, em 09/05/2006 gerou uma boa conversa entre mim e Andrea C., bloqueira amiga do site Com o Pé na Cova . O texto que postarei amanhã - sem falta - é o resumo dessa conversa, seus principais trechos. Essa conversa toda foi gerada a partir do comentário de Rose, blogueira amiga do site Contos Eróticos.
Foi uma bela conversa, que achei por bem publicá-la.
Mas a falta de tempo ainda não me permitiu postá-la, pois, como todo blogueiro sabe, dá um trabalho danado colocar um simples negrito, quanto mais links, etc.
Até amanhã!
Abraço do Vinícius.
enviada por Vinicius
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