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03/12/2006 14:59
A PRIMEIRA NAMORADA Parte 1
A história é longa. Por isso a dividirei em partes.
Era um sábado, início de março de 1987. Eu estava perto de completar dezessete anos. Nessa época, andava com um pessoal da igraja Batista, gente bacana mesmo. Quem me apresentou a essa turma foi o Mauro, meu melhor amigo até hoje, uma amizade inabalável, de mais de vinte anos.
Estávamos em oito pessoas, cinco caras e três meninas, voltando de um evento relacionado à igreja. Dentre as três meninas, uma eu nunca tinha visto: ela. Olhei-a, mas não dei-lhe atenção. Ela não era bonita. Na verdade, ela se parecia muito comigo, conseguiria se passar por minha irmã numa boa. Mas eu não tinha aquele nariz de bola (igual ao que e Xuxa tinha antes de fazer a cirurgia plástica). Morena da minha cor, magrinha, cabelos pretos e lisos. Era um ano mais velha. Seu nome era N (melhor chamá-la assim).
Tudo aconteceu muito rápido. No dia seguinte (domingo), ela tinha ido à igreja, acompanhada de seu primo, o Jorge, o mesmo que a tinha levado ao evento do dia anterior. Terminado o culto na igreja, lá pelas 21:00h, fomos eu e a galera toda, para a casa do Jorge. No caminho, fizemos uma vaquinha para comprarmos pizzas. Voltei conversando com ela, a N. Lembrando-me dessas coisas hoje, eu penso: engraçado... engraçado... Não percebi a aproximação dela.... Quando percebi, lá estava ela me fazendo um monte de perguntas (de onde eu era, onde eu morava, de que música eu gostava...) E eu lá também, adorando tudo aquilo...
Chegando à casa do Jorge, todos entraram, exceto nós dois. Depois a gente entra, eu disse, como que por reflexo ou talvez por puro instinto masculino, ao perceber que a chapa tava começando a esquentar.
Ficamos naquele papinho, pá e tal, tal e coisa... Tudo o que eu falava era motivo de riso pra ela. Uma mulher gosta de homens que a façam rir. Ou então ela começou a rir de mim, vendo-me macaqueando na frente dela ao perceber a minha dança do acasalamento - semelhante a dos pavões para excitar a fêmea no esforço de chamar-lhe a atenção... Mas acho que não... Será?
Bem, o que importa é que o entregador de pizza chegou. Era a hora de ir pra dentro, hora de comer pizza. Mas eu, que àquela altura já conversando com ela a uma distância muito menor do que uma amizade permitiria, já envolvido pelo clima e com o coração acelerado, disse a ela:
Que coisa... Paguei por uma pizza que nem vou comer...
Ao que ela prontamente respondeu:
Ainda está em tempo de você ir pra lá...
Negligenciei esse aviso dela - sofreria a conseqüência disso mais tarde, porém. Embriagado pelo clima e pela idéia de que era questão de pouquíssimo tempo até eu dar um beijo naquela boca, respondi:
Hã... Não, não... Aqui tá bem melhor, sabe...
Ela deu um sorriso com o canto da boca. Aquele sorriso. Acabara de sentir a firmeza do macho em busca da fêmea.
Mas... Como beija-la? Simplesmente peço um beijo? Mas é preciso pensar rápido, antes que eu perca o timing. Já estava bem próximo dela. Ela encostada em um muro, e eu encostado em um carro, de frente pra ela. Eu estava de braços cruzados e ela com as mãos para trás. Sentia seu perfume.
Adendo:
O fato de se sentir o perfume de uma mulher nem tem muito a ver com o cheiro, a fragrância em si - nem sou entendido nesse assunto. Mas denota proximidade, confiança por parte da mulher, pois um perfume só é sentido quando se está muito próximo da pessoa. É claro que não tem nada a ver quando cumprimentamos alguém. Porém, na minha opinião, quando uma mulher permite que um homem fique a seu lado a uma distância que permita se sentir seu perfume, entendo isso como uma concessão, uma liberdade a mais, algo que pode ir além da amizade... Ou no mínimo, uma alta confiança.
Voltando ao assunto...
Sentia seu perfume. Estava, como disse, a uma distância inferior ao limite permitido pela amizade. E embriagado por aquele clima. O coração acelerado. Era preciso agir. Era isso que ela esperava de mim.
Curioso... Quando tem que acontecer, simplesmente acontece. Não adianta forçar...
Nem sei de onde me veio a idéia, mas fiz uma piada. Uma piada bem sem graça, aliás, mas ela entendeu a deixa: era para ela começar a rir, e inclinar o corpo pra frente. E assim ela o fez. E eu, é claro, teria de fazer o mesmo. E começamos a rir. Ela inclinou seu corpo para frente, aproximando-se (ainda mais) de mim. Descruzei meus braços instintivamente. Hora do ataque. Ao me aproximar de seu rosto, dei-lhe um beijinho na boca. Ela aceitou. No segundo seguinte, meus braços agarraram aquela cinturinha fininha. Em seguida, puxei-a violentamente contra o meu corpo. Fui rude, confesso. Mas ela adorou, abraçando-me com força. Inclinei-me para frente, encostei-a no muro em fração de segundo. Foram vários beijos, bem longos, do jeito que eu gosto. Que loucura...
Não dormi naquela noite, é claro. Ficava relembrando cada minuto, cada frase dita. Deve ser por isso que consigo escrever hoje, com detalhes, o que aconteceu há muito tempo.
Fiquei abobalhado. E feliz. Muito feliz.
[CONTINUA]
enviada por Vinicius
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