Cidadão Mediano

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Tudo depende       Nada é sempre       Tudo é às vezes

 

23/09/2006 11:49

O PRIMEIRO BEIJO...

...A gente nunca esquece

Era verão, época de férias. Lembro-me bem. Eu estava para começar a estudar o segundo ano do segundo grau, com quinze anos (faria dezesseis em abril). E... Isso mesmo: ainda não havia beijado uma menina. Cara, tava começando a ficar pessoal. Para mim já estava mais do que passando da hora de eu ter essa experiência.
Num belo dia, avistei uma menina da rua de cima , que vivia a perambular pela minha rua: Beth.
Ela era famosa. Entenda-se por “famosa” a menina que, na época, era namoradeira, vivia de ficar beijando tudo quanto é carinha.
Quando Beth me viu, deu um sorriso. Qualquer um, até mesmo um virgem como eu entendia aquele sorriso de aprovação por parte dela.
“Será que agora vai?”, perguntava-me.
Nos dias seguintes, eu ficava em frente ao portão de casa para vê-la passar. E vê-la olhar pra mim com um sorriso. Aquele sorriso. Ai ai ai...
Dias depois, eu, sem ter o que fazer, fui dar uma olhada na construção de um vizinho. Tinham começado a rebocar as paredes por dentro. Fui ver como estava ficando. Ainda não tinham sido colocadas as janelas.
Estava em um dos quartos da casa quando percebi um vulto passar pela porta. “Não, não pode ser ela”, cheguei a pensar. Alguns minutos depois, o vulto passa de novo. Corro atrás para ver quem era. Era ela, sorridente. Aquele sorriso.
Chamei-a para dentro do quarto. E ela veio. Eu já estava tremendo. E o coração batendo a mil. Perguntei o que ela estava fazendo ali. “Só de passagem”, disse ela. Silêncio de um minuto. Aproximei-me bem dela, a ponto de sentir seu hálito e seu perfume. Perguntei mais alguma coisa, mas não me lembro mais o que era. E nem importava, pois já estava totalmente embriagado por aquele clima. Só me lembro de ter colocado a mão no pescoço dela, acariciando-lhe a orelha direita. “Isso me dá cócegas”, disse ela, quando puxei-a pela cintura para perto de mim. Aqueles olhos com maquiagem carregada. Foi a última coisa que vi quando fechei meus olhos e a beijei. Aquele cheiro de perfume e de maquiagem barata... Era, para mim, o cheiro da fêmea, cheiro de mulher. Que loucura...
Ah, Beth...
Não era bonita. E bunda também não tinha. Aliás, eu dava sorte com menina sem bunda.
Beth... Jamais me esquecerei da menina que me fez ver a luz.
Depois desse e de outros beijos que dei nela, passei a ter menos problemas de auto-estima e de autoconfiança. É claro que continuei a tomar muita porrada nessa área, mas havia perdido o medo, estava mais confiante. E minha timidez sumira de vez. Até de “bonitinho” passaram a me chamar, acreditem.

enviada por Vinicius






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