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25/07/2006 09:42
INTRIGANTE
No blig dedicado ao Caso Richtofen, constata-se a indignação das pessoas, através de seus comentários, que ficam entre essa vagabunda tinha de morrer, e ela deveria ter uma morte bem dolorosa, tipo enfiar um braço em um formigueiro, depois o outro, pra que ela sinta muito dor, pra começar...
Eu, particularmente, só acho que ela tinha de ser condenada pelo simples fato de se ter matado alguém por motivo diferente de legítima defesa.
Todo mundo já se indignou. Eu também. Mas só ouço as pessoas repetindo a mesma ladainha, sem acrescentar muito pouco de novo no sentido de se tentar entender, ou encontrar alguma lógica.
No caso de Suzane, o que mais me intriga não é o crime em si, mas sim o fato de algumas peças não se encaixarem. Explico.
O que faria você matar alguém, além de legítima defesa?
O ódio por uma determinada pessoa, assim como sentir-se ameaçado por alguém, ou um acesso de raiva, ou estar sob efeito de álcool ou drogas.
Eliminadas as situações acima descritas, restam as possibilidades de você ser um homicida, ou um louco.
Imagino-me agora como um criminoso homicida. Uma vez sendo homicida, a pergunta mais apropriada seria: quem escolher para matar? Pode ser uma circunstância da profissão, como por exemplo, em um roubo (latrocínio), ou troca de tiros com a polícia. Posso até estar enganado, mas creio que, mesmo para um homicida, matar os próprios pais é pouco provável.
Já os loucos, os criminosos psicopatas têm uma lógica própria, bem se sabe. Deles tudo se pode esperar. E como tem gente que não consegue entender isso e se mete em roubadas, como no caso da Liana e Felipe.
Voltando ao caso de Suzane.
Fico pensando no momento em que ela tomou a decisão de matar seus pais.
Muitos acham que foi por dinheiro.
Outros dizem que foi uso de drogas.
Há os que dizem que foi a influência negativa do namorado. No caso deste namorado, o que pode tê-lo feito cogitar em matar o pai da namorada, além da burrice, foi o fato de não serem seus pais.
Só que, para que se mate alguém, excluindo-se as situações acima, seria necessário, a meu ver, uma profunda indiferença, ou um ódio mortal por uma pessoa, para que se possa começar a cogitar a possibilidade de matá-la.
Louca, dizem que ela não era nem um pouco.
Pergunto o que a faria ter esse sentimento de total desprezo, indiferença por seus pais, a ponto de planejar suas mortes?
Apostaria na criação, na educação dada pelos pais. Algum tipo de mau trato, indiferença, ou rigidez, excesso de proibições, enfim, tudo aquilo que pode causar a ira de um filho ou a completa indiferença, tipo tanto faz pra mim, se morresse eu nem ligaria, aliás seria até um favor.
Mas disseram no julgamento que ela era criada com amor, com tudo do bom e do melhor. O que eu gostaria de saber é o que essas testemunhas entendiam por do bom e do melhor.
Até onde minha mente consegue ir, o que eu sei é que quem ama não mata. Se fosse amor o que Suzane sentia por seus pais, certamente nada disso teria ocorrido. Também gostaria de saber o que as testemunhas entendiam por criar alguém com amor. Será que é dar bens materiais, ficando para segundo plano a presença, o passar mais tempo ao lado dos filhos? Sim, porque isso é algo que ocorre com freqüência com as famílias de classe média alta: os pais são ausentes devido à dedicação ao trabalho, comprometendo o relacionamento com os filhos.
Como disse, embora digam o contrário, acho que o problema passou pela relação dela com os pais.
Ela até poderia estar pensando em dinheiro, na forma mais rápida de obtê-lo, mas, para matar os pais seria necessário um forte sentimento negativo, ou a ausência de qualquer sentimento, a mais completa indiferença.
Se não foi isso, então o que seria?
É claro que ela deve ir presa, o que ela fez é hediondo. Porém, além de ficar perplexo, o que eu gostaria, ao invés de ficar mandando ela pro inferno e querendo a cabeça dela numa bandeja, gostaria de saber como realmente as coisas aconteceram, o que realmente tava pegando naquela família.
Costumam chamar de loucura aqueles atos cometidos por uma pessoa que uma sociedade não consegue explicar, como neste caso. Se Suzane não é louca, então o que ela é? Simplesmente malvada? Já nasceu assim, ruim? Se fosse possível voltar no tempo, para a época em que Marísia estava grávida dela, deveria-se então abortá-la. Se fosse permitido a ela nascer, então o que poderia ser feito para se evitar esse comportamento em Suzane?
enviada por Vinicius
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