Cidadão Mediano

F A Ç A    B O A S    P E R G U N T A S

Tudo depende       Nada é sempre       Tudo é às vezes

 

18/06/2006 12:59

CONSELHO AMOROSO

Um estagiário meu foi, na semana passada, assistir a uma peça de teatro. Sua professora, não sei de que matéria, faria uma prova cujo tema seria essa tal peça. Convidou sua namorada para o “programão”. Quando chegaram na estação de metrô mais próxima, pegaram um táxi para chegar até o teatro.
Que teatro?
O tal “teatro” era um galpão. Poltronas, é claro, não haviam, e sim um monte de cadeiras num canto do galpão: cada um pegava a sua, e se “acomodava” no melhor lugar para assistir a peça.
Que peça?
A tal “peça” foi uma merda, ruim de doer: sem pé nem cabeça, confusa, uma história estranha de pessoas que já haviam morrido num acidente e não se conheciam, exceto duas delas, e que acaba no meio do nada, com as luzes apagadas. E a platéia fica lá, parada, esperando que a peça continue. Que nada: aquilo era o fim da “peça”.
Pra piorar, nem é preciso dizer que a namorada ficou falando um monte durante a volta. Pra piorar, ela decidiu voltar, de salto alto, a pé até o metrô, um caminho de meia hora. Aí é que o humor dela azedou pra valer.
No outro dia, ao questionarem a professora sobre a peça, esta disse que não era necessário entender a história, e sim a mensagem que a peça queria transmitir...
Mas, que mensagem, porra?
A tal “mensagem” foi exatamente o tema da tal “prova”.
Descobriu-se, ainda, que o diretor da tal “peça” era filho da professora.
Tá explicado. Só assim mesmo para levar pessoas a assistirem a algo tão ruim. Os alunos, sabendo disso, deveriam ter colocado na prova coisas do tipo “a mãe do diretor dessa bosta de peça tá na zona”, “a única crítica que esse diretor ouve é a da mãe”, “ô diretorzinho filho da puta”, e por aí vai. Mas não colocaram. A educação deles não permitiu isso. Mas vontade não faltou.
O saldo, para o meu estagiário, foi uma peça mico, e a relação com a namorada abalada. Abalada, é claro. Ela deve estar pensando: “dizem que depois do casamento, piora. Se ele, agora, já tem esse mau gosto, imagina depois! Que outros micos me aguardam? Se bem que não foi um mico, foi um chimpanzé bem gordo...”.
Foi aí que eu entrei em ação.
Eu e meus conselhos “firmeza”.
Disse a ele que, para compensar aquele mico fenomenal, só havia um jeito: comprar dois ingressoa para assistir à peça “O Fantasma da Ópera”. Duzentos reais o convite.
Estagiário: Cê tá louco?! Quatrocentos reais?
Vinícius: Olha, a situação exige. Depois da peça, fica tudo uma maravilha, tô falando...
Estagiário: Eu sou estagiário, esqueceu? E onde eu vou arranjar quatrocentos reais?
Vinícius: Ah, véio, sei lá... Faz em dez vezes no cartão de crédito, faz um CDC, empréstimo, se vira...
Olha, vai por mim que não tem erro: ela vai ficar maravilhada. Se eu levasse minha mulher para assistir a uma peça dessas, ela iria dar pra mim sete dias na semana, altas putarias. Ia ser foda mesmo.

Fala a verdade: conselheiro amoroso fudido pra caralho o cara aqui, né não?

enviada por Vinicius






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