Cidadão Mediano

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Tudo depende       Nada é sempre       Tudo é às vezes

 

08/03/2006 02:44

REFORÇO POSITIVO X REFORÇO NEGATIVO: O MOMENTO CERTO DE CADA UM

Reforço é um conceito do Behaviorismo Radical, de B.F. Skinner.
Descreve a conseqüência de uma ação (comportamento) que mostra-se capaz de alterar a freqüência deste comportamento. Os tipos de conseqüência ("reforçadores"), que aumentam essa probabilidade, podem ser positivos ou negativos.
Um reforço positivo aumenta a probabilidade de um comportamento pela presença (positividade) de uma recompensa (estímulo).
Um reforço negativo também aumenta a probabilidade de um comportamento porém desta vez pela a ausência (retirada) de um estímulo aversivo (que cause desprazer) após o organismo apresentar o comportamento pretendido. (Fonte: Wikipédia)

Guardem as definições acima. Elas servirão para o texto a seguir.

No meu trabalho sou supervisor em um setor onde trabalham muitos estagiários. No momento, trabalham três estagiários, duas estagiárias e duas funcionárias.
São estagiários sensacionais. Mas, é claro. Nem sempre foi assim. Senão não teria graça, e eu não teria nada pra contar aqui, é ou não é?
Há mais ou menos um ano, vieram rejeitadas de outros setores duas estagiárias ruins de amargar. Ruins de serviço, que fique bem entendido. Foram mandadas para o meu setor como a “última instância”, ou seja, se não conseguissem ficar ali, é que não serviriam pra nada mesmo. E eu naquelas de ser o politicamente correto, aceitei as meninas. Pra quê...
Resumindo, elas fizeram questão de não frustrar a minha expectativa com relação a elas: eram ruins pra cacete, não tinham jeito.
Uma delas, morena de pele clara e fala mole, parecida com a fala da Débora Bloch no comercial do Unibanco (“aquele Lúcia Helena do Unibanco ta mimando você demais”). E quando ela me chamava? Ninguém merece: “Viiiiinííííciiiiiuuuus”, parecendo quando o disco está com a rotação lenta, manja? O raciocínio e o reflexo mereceriam um capítulo à parte... Cara, me dava um ódio...
E a outra? Até que não era lenta de serviço, porém mais faltava do que comparecia. Sempre prometendo que iria compensar as horas, quanto mais o tempo passava, mais as horas a serem compensadas iam acumulando. Até que um dia se tocou que não daria pra ela, e decidiu sair. Essa estagiária, porém, além disso tudo, de vez em quando vinha com umas conversas atravessadas, dando umas insinuadas sutis, manja? E eu naquela de fingir que não era comigo, ficar na minha, dando uma de “João-sem-braço”, dando um ”migué”.
E adivinha? Ela me aparece um dia para se despedir da gente, pá e tal, coisa normal, nada demais, lance de amizade. Quando ela veio se despedir de mim, estava eu sentado na minha cadeira. Ela chegou junto e não deu tempo para eu me levantar para dar-lhe um abraço e um beijo no rosto de despedida. Ela se inclinou na minha direção e veio com seus lábios na direção dos meus. Senti o cheiro do cigarro (eca). Tentei ir para trás, mas estava literalmente encurralado, “nas cordas” como um lutador de boxe, sem ter como sair daquela situação sem ser indelicado. Pensei: já era, tô beijado, e se ainda por cima alguém vir isso vai embucetar legal. Porém ela, vendo que ia ser uma puta mancada, antes que eu tentasse virar-lhe o rosto e ficar ruim também pra ela, desistiu da investida. E lá estava outra estagiária só de olho pra ver se o beijo acontecia. Seria o “babado” do ano. Ela se afastou dizendo: "quase", né?
Foi uma tiração de sarro do cacete.
E o que o retardado aqui foi fazer? Contar o episódio pra mulher.
Sabe quando você acha que a sua mulher vai achar legal você ter contado um lance desses, que ela vai gostar do fato de você não esconder as coisas?
Pois é, o jegue aqui estava atrás de um reforço positivo, assim como a foca que ganha um peixe toda vez que aperta com a boca as buzinas na ordem certa ou equilibra uma bola no nariz, ou o cachorro que ganha um biscoito toda vez que deita, rola ou traz o jornal para seu dono, ou o peão de fábrica que almeja o tapinha nas costas do chefe toda vez que consegue atingir a meta draconiana de produção estabelecida pela empresa onde trabalha.
Pois ela não fez nada disso. Muito pelo contrário. Ela disse:
“Ela tentou fazer isso foi porque você deu trela. Você deu liberdade pra ela e ela veio pra cima.”
Falei pra ela na mesma hora:
”... mas eu tô te contando o lance na maior e você me vem com uma dessas? Simplesmente poderia não ter te contado nada disso e tudo bem, mas eu contei e você... Deixa pra lá...
Esse é um exemplo de reforço negativo, assim como o do ratinho que leva um choque por tentar ir pelo caminho da esquerda num labirinto, quando deveria ter ido para a direita.
Resultado: fiquei velhaco. Se isso vier a ocorrer novamente, vocês acham que voltarei a contar?

enviada por Vinicius






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