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17/02/2006 02:17
AH, INFELIZ, SE EU TE PEGO...
Em frente à casa de um vizinho meu vive um cachorro preto. Vira-lata feito eu, ele fez do portão do vizinho o seu território há pelo menos uns três meses.
Pois não é que anteontem o infeliz do cachorro mordeu a minha perna por passar em frente à casa do vizinho ou, como deve alegar o cachorro, por invadir seu território?
Ele já havia esboçado fazer isso havia mais ou menos uma semana, mas deixei pra lá. Agora me vem o filho de uma cadela e me apronta uma dessas!
Não foi uma mordida forte, foi até bem de leve, foi só um tipo de advertência da parte dele.
Pois bem. Virei-me e fui atrás do cachorro, com o sangue nos olhos. Comecei a chamá-lo não sou covarde, eu sou homem, coisa que ele não é, e não ataco pelas costas não, parafraseando Renato Russo para dar-lhe um chute de três dedos na bunda que o faria parar lá no outro quarteirão. Ele tem que aprender que, se ele quisesse continuar vivo nessa vida, ele deveria primeiramente passar a entender que não se deve desafiar quem é maior do que ele.
Mas ele não atendeu ao meu chamado, nem virou-se para ver quem o estava chamando. Desisti da idéia. Sorte a dele.
Um homem estava vindo na minha direção e, tendo visto toda a cena, percebeu o que eu estava prestes a fazer. Uma cara apaziguadora. Talvez ele seja o anjo da guarda do cachorro. Poderia até ser o Marcos (da Seleção Brasileira) no gol, mas o chute que eu queria dar no cachorro ia fazê-lo entrar com bola, digo, cachorro e tudo.
No outro dia (ontem) saí já olhando para o portão do vizinho: ele não estava lá. Em seu lugar estava o anjo, digo, o homem. Fez piada com o ocorrido no dia anterior. Após andar alguns metros, o homem me grita: olha ele vindo ali. Cara, até parece que o homem tinha dito para o cachorro se ausentar até a barra ficar limpa. Foi só eu me distanciar que o cachorro apareceu.
À noite, voltando pra casa, lá estava ele, deitado, enroladinho em seu lugar predileto. Olhou pra mim como se nada tivesse acontecido. O pior é que é de coração que ele não se lembra de mim. Fez aquilo tudo por instinto.
Se ele vier a tentar fazer aquilo de novo, das três uma: ou dou-lhe o chute de três dedos para que ele nunca mais se esqueça de mim, ou atravesso a rua para evitá-lo, ou peço para o anjo, digo, homem levá-lo embora dali.
enviada por Vinicius
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