Cidadão Mediano

F A Ç A    B O A S    P E R G U N T A S

Tudo depende       Nada é sempre       Tudo é às vezes

 

21/01/2006 18:30

Prólogo

Estava comentando um texto do Eduardo Mendes do blog Tubaranhão, que fala sobre o “Casamento em alta nos EUA”. Como o comentário ia ficar muito grande, preferi trazer o texto pra cá. No texto, o Eduardo comenta que cuidar primeiramente de si mesmo, e depois da família “não é exagero, como muitos pensam”. E eu realmente concordo com isso. Mas o que realmente me chamou a atenção no texto foi quando ele disse “triste é ver que muitos, ao longo dos anos, deixam, por exemplo, de fazer um tratamento dentário de qualidade, pois precisam gastar o dinheiro com os filhos...”. Quero deixar bem claro que concordo plenamente com ele. É que esse texto dele me fez pensar sobre o que leva as pessoas a terem filhos. Sempre questionei isso, e aproveito a oportunidade para deixar registrada a minha visão sobre o assunto.

FILHOS: VOCÊ SIMPLESMENTE OS TEM

Muitos solteiros ou pessoas que não têm filhos questionam o porquê de se ter filhos nos dias de hoje, com tantas dificuldades, a violência, o preço das mensalidades escolares, etc. E não é pergunta só de solteiro não, vai por mim. Essa pergunta intriga ainda mais quem é pai ou mãe.
É claro que não podemos ter filhos sem termos condições de cuidarmos primeiramente de nós mesmos.
Mas vou te dizer uma coisa: quando se tem um filho, meu amigo, vou te dizer, ele é você. Sabe quando o Renato Russo diz que não consegue entender “como um só Deus ao mesmo tempo é três”? Pois é, tenha um filho, e passarás a entender, ou ao menos ter uma boa idéia do que isso possa significar. Quando eu digo que o seu filho é você, digo aquele lance de carne da sua carne, sangue do seu sangue, manja? Você simplesmente deixa de fazer um tratamento dentário, por exemplo, porque há uma outra parte do seu corpo que está precisando mais: teu filho, que é como se fosse você. Às vezes, a gente deixa de comprar uma roupa de 100 reais para comprar um brinquedo de 200 para o nosso filho. E sabe o que é mais interessante? A gente não se arrepende, e dá o presente para o filho com gosto, pois ver o rostinho feliz dos filhos é algo que realmente não tem preço. É claro que não se deve cometer exageros, mas vai por mim: fazemos qualquer coisa por eles sem pensar duas vezes. E não tem explicação, deve estar no nosso DNA, ou qualquer coisa que o valha.
De volta à pergunta: por que ter filhos?
Perigoso ou não, difícil ou não, o fato com relação aos filhos é que você simplesmente os tem.
E vai por mim: quando você os tiver, amigo(a), você vai abraçá-los, beijá-los, dar-lhes presentes, brincar com eles, vai chorar quando eles de escreverem cartões do dia dos pais, vai ficar desdentado se preciso for, mas fará de tudo para dar felicidade a eles.

Pé de ”paraquedinhas”

Valeu, William, por ter me esclarecido um mistério de 35 anos.
Também, como alguém poderia intuir que o nome do “pé de paraquedinhas” fosse Dente-de-Leão?
E o nome em latim é Taraxacum officinale.
Que coisa.
Eis aqui uma foto.


Suzanne Richthofen

Uma das coisas que Suzanne afirma sobre seu pai é de que ele mantinha relações sexuais com ela quando criança. Ela até diz o período em que essas relações teriam ocorrido, mas não me lembro. A reportagem foi do Jornal da Record.
Bom, é claro que ela pode estar mentindo com relação a tudo isso, que ela pode estar falando isso para tentar salvar a própria pele, e jogar tudo nas mãos dos irmãos Cravinhos, pá e tal. Também acho ser praticamente impossível ela poder provar isso.
Agora, se isso fosse provado, mesmo que nunca justificasse, muita coisa se explicaria, ou ao menos faria algum sentido tamanha violência.
Na minha humilde opinião, após ler livros e reportagens sobre o tema, eu digo: eu realmente não duvido que esses estupros possam ter acontecido. Não mesmo.

AH É, É? – episódio 1

Sabe quando você está no meio de uma discussão, um arranca-rabo, uma sinuca de bico, ou uma situação humilhante, e te dá um branco que você fica travado na hora de falar, e só mais tarde vem à sua mente o que você deveria ter dito?
Sabe aquelas respostas que você queria ter dado e na hora não conseguiu?
Pois é, todos nós temos esses momentos, não é mesmo?
Às vezes não se trata de travarmos, e sim de a circunstância não permitir, ou a pessoa merecedora “daquela” resposta ser nosso chefe ou alguém poderoso.
Vou inaugurar esta coletânea, a coletânea “Ah, é, é?”, dedicada àqueles momentos em que você fica com cara de paisagem, quando o que você queria ter feito realmente era dar uma resposta de “responsa”.

Estudei em uma faculdade não renomada. Entenda-se por faculdade não renomada aqui em São Paulo uma faculdade diferente de USP, Unicamp, FGV, PUC, Universidades Federais em geral, e correndo por fora um Mackenzie, e olha lá. As grandes empresas já começam a filtrar os currículos pela faculdade em que a pessoa estudou. Também, tem tanto universitário no mercado que, se as empresas quisessem, já poderiam conseguir um candidato da cor de olhos, pele, signo e ascendente que desejassem.
Na verdade, minha faculdade é um centro de excelência em exclusão. E eu, na época com 24 anos, pensava diferente, claro.
Fui a uma “feira de estagiários” num centro de exposições (Anhembi), onde haviam stands de diversas empresas em busca de estagiários e trainees.
Aquilo era o paraíso. Tanta gente procurando estágio por aí sendo que os melhores estão aqui. Meu, como eu era bobinho.
Depois de visitar vários stands, entrei no da Price Waterhouse, uma das maiores empresas de consultoria do mundo na época. Eles estavam à procura de trainees. Eu e outros quatro candidatos nos sentamos em frente à mesa de um homem que se dizia ser um dos “sócios”, sei lá que porra era aquela. Após todo aquele papinho sobre o “perfil do candidato ideal” que eles estavam procurando, o cara começou a nos entrevistar. Fazia as mesmas perguntas a cada um de nós.
Eis que quando eu disse onde estudava, ele me comentou: “não conheço”. Respondi a ele que a faculdade ficava na zona Leste (outro centro de exclusão por excelência). Ele ficou calado. Quando a moça ao meu lado disse que estudava na USP, ele demonstrou interesse. E eu, com cara de paisagem.
Saí de lá com aquela conversa de “a gente entra em contato”.
Passado algum tempo visitando outros stands, faço uma visita ao stand da minha faculdade. E vejo que o stand da Price Waterhouse ficava bem em frente.
Naquela época eu, boboca, não havia entendido o que o cara queria dizer com aquilo. Quando entendi o que o tal “sócio” queria dizer, aí sim me veio a resposta que ele deveria ter escutado:
Escuta aqui, por que vocês já não deixam claro que não querem aluno de faculdade de segunda linha aqui? Eu sei, vocês poder ser acusados de preconceito, mas seria tão simples vocês fazerem uma triagem de currículos e, elegantemente, dispensar os “segunda linha” feito eu. Acabamos perdendo o tempo um do outro dessa forma. E, por favor, que papo é esse de nunca ter ouvido falar na faculdade, sendo que o stand está aí logo em frente? Você é cego, retardado ou o quê, porra? Eu sei, você quis dizer com isso que eu “já era”, é ou não é? Da próxima vez, vê se não fica com esse papinho holístico de merda, porque ninguém ta aqui pra ser humilhado! E para terminar, com a devida vênia: vai tomar no seu cu, e que um raio te parta ao meio espalhando as suas vísceras pra todo lado.

enviada por Vinicius






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